segunda-feira, 22 de abril de 2019

As origens do Chamamé


O Chamamé é um gênero musical tradicional da província de Corrientes, Argentina. O chamamé se expande também pelo Paraguai e por vários locais do Brasil, principalmente nos estados do Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul.

A dança se originou na tribo indígena "Kaiguá", entre Brasil e Corrientes, e era conhecida como “Polkakirei”, uma polca movida em ritmo ágil. A palavra “chamamé” estive origem da frase “Che amoa memé” que significa “te protejo”. A palavra chamamé não é guarani e nem espanhola. Por isso, não há uma tradução para chamamé.



Para os argentinos, chamamé significa "senhora ama-me". No Brasil, a palavra tem o significado de "chama-me para bailar" ou "aprochegar-se de mim".


Desenvolvimento


O chamamé está cada vez mais abrasileirado. Depois de introduzir no Rio Grande do Sul, perdeu-se parte de sua originalidade, formando uma legião de apreciadores e enriquecendo o repertório das canções regionais passo a passo e acrescentou alguns instrumentos locais e típicos. Por tanto, este ritmo se tornou um dos mais presentes nos fandangos gaúchos. 


Influência

 
O chamamé permite a improvisação e será o jazz do novo milênio. Ele está tão aculturado que não tem mais o que ser mexido. O ritmo é considerado como o rei dos bailes gaúchos. Hoje, não há festa em que ele não esteja presente.


Caraterísticas


O chamamé é dançado em compasso ternário, ou seja o chamamé valsado.
Na Argentina, o chamamé é cantado e tocado, acompanhado pelos “sapucays” (que, em guarani, significa "grito da alma") é o único a permitir a emissão de sapucays e também o único a utilizar acordeão de botão. 

Um dos maiores sucessos da música gaúcha, Gritos de Liberdade, do Grupo Rodeio é o maior exemplo do chamamé gaúcho. Te aprochega e confira esta marca:


quinta-feira, 18 de abril de 2019

A história da milonga


A milonga também é chamada por ritmo rio-platense, porque é comum na área de Argentina, Uruguai e Rio Grande Sul. Embora o ritmo seja muito conhecido na Argentina, teve muita influência no Rio Grande do Sul, formando parte das tradições gaúchas.

O termo “milonga” vem de uma palavra africana que significa “palavra”, também fazem a relação às origens com alguns tipos de danças africanas que se dançavam entre um homem e uma mulher, o que também se tornou uma característica da milonga.

Milonga rio-grandense. Foto: Estância Virtual


No início, a milonga era um tipo de poema cantado, onde as letras eram mais importantes do que a música. Quando este ritmo foi evoluindo, as músicas viraram mais complexas e um pouco mais rápidas.  Este ritmo surgiu no século XIX com os gaúchos argentinos e depois se introduziu ao Brasil pela fronteira com Argentina. Era uma música principalmente cantada pelos “payadores” acompanhados pela guitarra, logo depois se incorporaram instrumentos como a flauta, o piano e o violino.

A milonga foi influenciada por outros ritmos como o candombe, a mazurca e a valsa, e foi se formando o tango, ritmo que se tornou famoso mundialmente e foi evoluindo paralelamente à milonga. O termo milonga depois virou conhecido por ser uma dança, similar ao tango. Porém, o jeito de dançar milonga muda por regiões, por exemplo, a milonga rio-grandense gaúcha é uma dança calma.

Pelas influencias à dança, ela possui giros lentos entre outros cortantes, lembrando os ganchos e sacadas do tango. Em 1968 o conjunto Farroupilha gravou pela primeira vez uma milonga no Rio Grande do Sul, “A Milonga do Bem Querer”.

Na Argentina, o local onde as pessoas vão dançar tango, o salão de bailes, também é chamado de milonga. 

Um exemplo de milonga é a música "Milonga Abaixo de Mau Tempo", composição de Mauro Moraes e eternizada na voz do saudoso cantor nativista, José Cláudio Machado. Te aprochega e confira essa música:





terça-feira, 16 de abril de 2019

História e caraterísticas do xote


O xote é um tipo de música brasileira, nascida na Alemanha. O termo “xote” significa escocesa, pois a dança inicialmente era referência à polca escocesa, um tipo de dança. O xote tem origem também na dança de salão portuguesa, que é muito tradicional no Brasil. O xote veio para o Brasil em 1851, e inicialmente era difundida apenas entre os mais ricos, mas logo os escravos se interessaram e se afeiçoaram a este ritmo, observando a coreografia e adaptando-a para seu próprio jeito, com mais flexibilidade, giros e movimentos.

Xote gaúcho



O xote tornou-se um dos símbolos do Nordeste do Brasil, e também da região Sul, chamando-o de xote gaúcho. O xote acabou se tornando um 
misto de ritmos, como a salsa, a rumba e o mambo, e é muito dançada em todo o Brasil. Os xotes são compostos com o pandeiro e o triângulo, e vocalizadas por uma banda, e pode ser dançado por casais, ou até mesmo por duas mulheres. Há outros tipos, como o xote carreirinha, quando os casais correm no mesmo rumo, e é muito comum no Rio Grande do Sul, e o xote de sete volta, que o casal tem que dar voltas pelo salão, em uma direção, depois em outra contrária.


Hoje em dia, o xote é um dos ritmos mais tocados e dançados em todo o Brasil
.

 

Alguns estilos de xote:


Xote-carreirinho: estilo comum no Rio Grande do Sul e no Paraná com coreografia próxima à da polca dançada pelos colonos alemães no Brasil.

Xote-duas-damas: variante de xote, dançado do Rio Grande do Sul, na qual o cavalheiro dança acompanhado de duas damas.

Xote-bragantino: estilo popular no Pará, sua coreografia difere bastante do original.


A música Panela Velha é um exemplo de xote, música que ficou conhecida em todo o Brasil na voz do cantor sertanejo Sérgio Reis. Te aprochega e confira a versão desta música na voz do ícone do samba, Zeca Pagodinho, ou será “Zeca Gauchinho”:




domingo, 7 de abril de 2019

O imponente Monumento ao Ginete e o seu autor


Inaugurado em Vacaria durante o 25º Rodeio Crioulo Internacional em janeiro de 2004, o Monumento ao Ginete é uma obra do escultor José Cristóvão Batista foi encomendada pelo então prefeito da época Ângelo Pegoraro, a fim de homenagear os ginetes dos tradicionais rodeios que aqui acontecem nos anos pares.

O escultor do Monumento ao Ginete de Vacaria, José Cristóvão Batista


O autor da linda escultura é natural de Ituporanga, Santa Catarina, mas mora em Lages. Autodidata, José Cristovão possui esculturas espalhadas pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro. Suas obras são feitas em concreto, arame e ferro, sempre abordando temas históricos, como o nosso icônico Ginete.

Monumento ao Ginete recebendo a nova pintura em bronze. Foto: Mateus Rosa

Atualmente, o Ginete recebeu pintura em bronze pelos artistas Ariovaldo Telles e Pedro Borges, com o patrocínio do CTG Porteira do Rio Grande e o aval da prefeitura de Vacaria.

Desde o ano passado obras artísticas vacarienses de beleza ímpar estão sendo reparadas pela Prefeitura Municipal como: a Maçã (rótula da Avenida Moreira Paz), os painéis do Mercado Público (do renomado artista plástico Carlos Rigotti), os pórticos da saída para Lages (BR-116) e do Parque dos Rodeios e recentemente o Monumento ao Ginete.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Cristiano Quevedo: o cantor nativista da primeira capital do Rio Grande do Sul


Cristiano Quevedo é um dos maiores famosos e populares cantores da música nativista gaúcha. Natural da cidade Piratini, a primeira capital do estado do Rio Grande do Sul, Cristiano Quevedo mantém a tradição de estar próximo de seu público, cantando a mais autêntica música sul-rio-grandense.


Em seus 25 anos de carreira, gravou 15 discos e vem conquistando uma legião de fãs no Rio Grande do Sul, demais regiões do Brasil e do mundo. Seus maiores são “Contraponto” e “Gaúcho de Coração”. Dentre os vários prêmios que Cristiano Quevedo recebeu está o troféu Candeeiro Farrapo no ano de 2013, honraria dada pela Câmara Municipal de Vacaria durantes os festejos da Semana Farroupilha.




O blog Repórter Riograndense conversou com Cristiano Quevedo sobre a sua carreira, em que ele fala de suas referências musicais, parceiras com outros músicos e os próximos projetos.

Te aprochega e confira um Chasque ao Repórter:


Como foi o início da sua carreira?


Cristiano Quevedo: Eu comecei nas invernadas artísticas, desenvolvendo o meu dom. Profissionalmente comecei a trabalhar nas rádios e logo depois nos festivais nativistas do Rio Grande do Sul. Depois muito tempo de estrada e muitas apresentações lancei o primeiro LP Um Canto Pra Ti em 1995.


Por que a escolha pela música nativista?


Quevedo: Venho de uma cidade histórica, Piratini, a primeira capital farroupilha, terra de Luiz Carlos Barbosa Lessa, onde se respira muito os ideais farroupilhas e também o tradicionalismo Gaúcho. Tudo isso, somado a uma grande vontade de exteriorizar esse sentimento, me levaram buscar na arte, logo depois na música, esse caminho. Lá se vão 25 anos de carreira.





Quais são os artistas você usou como referência na sua carreira?


Quevedo: Sempre fui muito atento aquilo que fala mais alto ao meu coração. Na arte, artistas como Charles Chaplin e Chico Anísio, na música, de Noel Guarani a Djavan, passando por Os Serranos, Gaúcho da Fronteira, Elton Saldanha, Luiz Marenco, Fabio Jr, além de influências do folclore uruguaio e argentino. Bebo de todas essas fontes para que eu possa desenvolver minha caminhada como músico.


Qual é música, ou composição, é mais especial para você? Por que?


Quevedo: A música mais especial para mim é Contraponto, letra de Paulo de Freitas Mendonça, música de minha autoria e de Fabiano Bacchieri. Porque além de ter me mostrado para o mundo, traz nos seus versos o meu ideal, como "A audácia de buscar o novo, sem pisar o rastra"... , ..."A coragem de pelear de adaga, pela liberdade"... e ..."Ter prenda e filhos e ficar tordilho ao redor das casas".


Durante a sua carreira você já ganhou vários prêmios. Qual foi o mais especial?


Quevedo: Todos são especiais para mim, não só pelo prêmio em si, mas pelo reconhecimento de um trabalho que faço com suor e muito amor.




Você participa ao lado de Shana Muller, Angelo Franco e Erlon Péricles do projeto Buenos e M’espalho. Tem alguma novidade deste projeto atualmente?


Quevedo: O Buenas e M’espaho deu um tempo, pois resolvemos tocar nossas carreiras solos, mas estará sempre vivo e dentro dos nossos corações. É muito mais que um projeto musical, é uma família que a música construiu.


Você participou da primeira edição do quadro “Desafio Farroupilha” do Jornal do Almoço, em que você buscou aprender a laçar. Como foi a experiência? Continua praticando?


Quevedo: Foi uma experiência incrível. Um sonho que guardava enrodilhado, assim como um laço. Foi um grande desafio, pois não tenho muito tempo para me dedicar aos treinos e em qualquer rincão deste estado tem milhares de laçadores. É sem dúvida o esporte de maior número de participantes que eu conheço, além é claro de representar a nossa tradição. Acho que não fiz feio. Hoje em dia eu pratico muito pouco, mas um dia será o meu esporte.




Quais são seus próximos projetos para o futuro?


Quevedo: Seguir fazendo música e buscando ir mais longe para chegar mais perto do coração das pessoas que gostam da minha música. Lancei um CD chamado “cristianoquevedo.rs” e estou neste primeiro semestre produzindo um trabalho muito bonito ao lado do catarinense, irmão que a música me deu Gabriel Pellizzaro. Um Projeto maravilhoso unindo a minha voz ao acordeom dele. Em breve queremos percorrer o Brasil com este trabalho. 


Fotos do show de Cristiano Quevedo no 32º Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria. 

Créditos: Mateus Rosa



quinta-feira, 4 de abril de 2019

Locação de terrenos na campeira


O CTG Porteira do Rio Grande inicia nesta sexta-feira (05), a primeira etapa para a locação dos terrenos na área do acampamento da campeira para o 33º Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria. O evento acontece de 1 a 09 de fevereiro de 2020.

Divulgação/  CTG Porteira do Rio Grande


Conforme o patrão da Campeira, Jeferson Camargo, nesta etapa uma equipe do CTG Porteira do Rio Grande entrará em contato com quem possuía terreno no 32° Rodeio para ver do interesse em adquirir o mesmo espaço. Caso não desejar, o local será colocado à disposição dos demais interessados.

Jeferson explica ainda, que a ligação será feita para o número de telefone informado no contrato do último Rodeio, respeitando a ordem das quadras (iniciando pela quadra “A”). Ele ressalta que caso alguém tenha trocado o número, deverá entrar em contato com o CTG Porteira do Rio Grande, através do telefone (54)3232-1077, para informar o novo número, para que posteriormente seja feito um novo contato.

Após o término da primeira etapa, os espaços livres serão comercializados para os demais interessados

 Fonte: Assessoria de Comunicação do CTG Porteira do Rio Grande


sexta-feira, 29 de março de 2019

Grupo Yangos


Yangos é um dos grupos referência da música instrumental sul-brasileira. Formado pelos músicos César Casara, Cristiano Klein, Rafael Scopel e Tomás Savaris, Yangos faz da união do piano, percussão, acordeon e violão um encontro potente, adicionando pitadas jazzísticas a milongas, chamamés e chacareras.



Formada em 2005, na Serra Gaúcha, Yangos segue com mesmo formação e atuação ininterrupta nesses mais de 12 anos de carreira. Nesse período a banda soma 4 discos e um DVD. Em 2009, nasceu o primeiro álbum, Tangos y Milongas. Mais tarde, com o lançamento de Às Pampas (2013), a banda afirmou seu lugar de diálogo entre o tradicional e contemporâneo, com um disco que é um verdadeiro passeio musical pelo sul latino-americano. Pampa: Pátria de Todos, CD e DVD, gravado em 2013, e lançado em 2016 em parceria com o cantor argentino Dante Ramon Ledesma, foi aclamado pelo público gaúcho, e recebeu uma premiação e três indicações ao do Prêmio Açorianos de Música (Rio Grande do Sul).

O quarto álbum da banda, lançado em 2017, Chamamé, foi indicado ao mais importante prêmio da música latina, o Grammy Latino. O disco contou com a produção musical do grande maestro do violão pampeano, o argentino Lúcio Yanel. Gravado na Serra Gaúcha, sul do Brasil, “Chamamé” foi realizado de maneira independente e contou com o apoio de fãs através de financiamento coletivo.

A indicação ao Grammy Latino representa um novo passo na carreira do quarteto, que vem consolidando seu trabalho como referência da música instrumental feita no sul do Brasil. Para 2018, a banda prepara seu quinto álbum com o apoio do Natura Musical. “Brasil, Sim Senhor!” é o nome do disco que a banda pretende inserir no mapa da música brasileira.

Yangos segue em movimento, envolvidos pelo hibridismo de ritmos sul-americanos com a adição de pitadas jazzísticas, fazendo música para as pessoas e potencializando a diversidade sonora do Brasil.  

Te aprochega e confira o clipe da música "Gaita ou Sanfona" do Grupo Yangos gravado em Lisboa, Portugal:


domingo, 24 de março de 2019

Saiba agora como fazer um chimarrão em 11 segundos: Tudo que você precisa saber


Está chegando a época do ano em que a temperatura começa a despencar e com isso cresce o consumo de chimarrão aqui do no Sul do Brasil. Até aquelas pessoas que não têm o hábito tomar chimarrão todos os dias se rendem a esta bebida que é o símbolo do tradicionalismo e a hospitalidade do gaúcho.

Com a correria dos dias atuais, às vezes o preparo do chimarrão da forma tradicional, como é ensinado nas embalagens da erva-mate, pode prejudicar o sabor e a qualidade do mate. Principalmente se você é uma daquelas pessoas que querem todas as coisas para ontem.




Por isso, o blog Repórter Riograndense vai te mostrar como preparar um chimarrão de forma fácil e rápida. Eu particularmente prefiro esta forma de preparo, porque além de prática, você pode economizar erva-mate na hora de preparar o chimarrão.


Vamos lá:


1° – Coloque uma colher de erva-mate no fundo da cuia, para dar o sabor ao chimarrão.


2° – Adicione água quente - de preferência na temperatura de 70°C - até o pescoço da cuia.


3° – Cubra toda a abertura da cuia com erva-mate.


4° – Com a própria bomba puxe a erva em direção ao centro da cuia ou até encontrar a água quente que está no fundo da cuia.


5° – Complete com mais água quente e introduza a bomba na cuia (tampe o bico da bomba para não entrar ar), fazendo movimentos laterais até chegar ao fundo da cuia.


6° - Saboreie o seu chimarrão.


Observações:


Você pode usar a mesma água quente que usará para tomar o chimarrão para fazer preparar o mate conforme explicado anteriormente.

O preparo deste chimarrão demora incríveis 11 segundos. Para comprovar a eficácia deste modelo de preparo, compartilho o vídeo da Escola do Chimarrão que mostra na prática como funciona:



Este modelo de preparo de chimarrão também pode ser usado para o chimarrão invertido. Para saber mais, clique aqui.


sábado, 9 de março de 2019

A origem do "Tchê"


Há quem goze de nosso uso do termo “Tchê”, ache até chulo-grosseiro este linguajar. Se soubessem a sua origem, aí abaixo relatada, talvez mudassem sua opinião.

Sotaques e regionalismos na hora de falar são conhecidos desde os tempos de Jesus. Todos na casa do sumo sacerdote reconheceram Pedro como discípulo de Jesus pelo seu jeito "Galileu" de se expressar.

No Brasil também existem muitos regionalismos. Quem já não ouviu um gaúcho dizer: "Barbaridade, Tchê"? Ou de modo mais abreviado "bah, Tchê"?



Essa expressão, própria dos irmãos do sul, tem um significado muito curioso. Para conhecê-lo, é preciso falar um pouquinho do espanhol, dos quais os gaúchos herdaram seu "Tchê".

Há muitos anos, antes da descoberta do Brasil, o latim marcava acentuada presença nas línguas europeias como o francês, espanhol e o português. Além disso, o fervor religioso era muito grande entre a população mais simples.

Por essa razão, a linguagem falada no dia, era dominada por expressões religiosas como: "vá com Deus", "queira Deus que isso aconteça", "juro pelo céu que estou falando a verdade" e assim por diante.

Uma forma comum das pessoas se referirem a outra era usando interjeições também religiosas como: "Ô criatura de Deus, por que você fez isso"? Ou "menino do céu, onde você pensa que vai"?

Muita gente especialmente no interior ainda fala desse jeito.Os espanhóis preferiam abreviar algumas dessas interjeições e, ao invés de exclamar "gente do céu", falavam apenas Che! (se lê Tchê) que era uma abreviatura da palavra caelestis (se lê tchelestis) e significa do céu. Eles usavam essa expressão para expressar espanto, admiração, susto. Era talvez uma forma de apelar a Deus na hora do sufoco. Mas também serviam dela para chamar pessoas ou animais.

Com a descoberta da América, os espanhóis trouxeram essa expressão para as colônias latino-americanas. Aí os Gaúchos, que eram vizinhos dos argentinos e uruguaios acabaram importando para a sua forma de falar.

Portanto exclamar "Tchê" ao se referir a alguém significa considerá-lo alguém "do céu". Que bom seria se todos nos tratássemos assim. Considerando uns aos outros como gente do céu.

Texto e foto retirado da página do grupo Alma Gaudéria.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Laça que nem mulher: a história de três jovens laçadoras que amam o que fazem


O tiro de laço surgiu na cidade de Esmeralda - RS na década de 50. Esta atividade campeira do gaúcho é uma prova muito popular nos rodeios crioulos onde o ginete (laçador) tem o espaço de 100 metros para laçar um novilho que tenta fugir.

No início era uma modalidade apenas praticada pelos homens, porém as mulheres, assim como em outras áreas, estão tomando conta e se destacando nesta modalidade.

Da esquerda para a direita: Alexandra Oliboni, Larissa Costa e Vanessa Santos.


Como março é o mês da mulher, o blog Repórter Riograndense entrevistou três jovens laçadoras: Alexandra Andreola Oliboni, Larissa Reginini da Costa e Vanessa Santos. Elas falam sobre o como elas iniciaram no esporte, as experiências vividas no tiro de laço e também sobre o crescimento das mulheres no tiro de laço. Convidamos a todos a partir de agora a conhecer essas  histórias e, acima de tudo, o lugar da mulher é onde ela quiser.

Como vocês começaram no tiro de laço?

Alexandra Oliboni: Meu pai Valdomiro me criou na lida campeira, então às vezes por necessidade de laçar algum animal no campo. Laçar sempre fez parte da minha vida. A primeira vez que participei de um rodeio como laçadora foi o rodeio do quadro Querência de São Pedro (Coxilha Grande, distrito de Vacaria) terra natal do meu pai.

Larissa Costa: Como eu fui criada no sítio em volta de cavalos e de pessoas que sempre laçaram, eu fui me incentivando e comecei a laçar aos 10 anos.

Vanessa Santos: Através do meu pai que sempre laçou e também me criei no campo. Com 4 anos já andava a cavalo sempre ajudava meu pai na lida de campo com o gado.  Só comecei a laçar com 13 anos, pois na época ainda eram poucas as prendas que laçavam.


Quem incentivou vocês a praticarem o tiro de laço?

Alexandra Andreola Oliboni. Arquivo pessoal



Alexandra: Eu sempre gostei do laço, e depois de anos quando conheci o Mica, meu namorado, e sua família me convidavam para os treinos que faziam nos domingos finais de tarde.  Sempre que posso, estou em algum rodeio. Um dos maiores incentivadores que tive foi minha dinda Rosane e meu tio Eduardo, que me presentearam com a Porcelana (minha égua ); que eu amo e está comigo nós melhores momentos do tiro de laço. E as pessoas que torcem muito por mim os quais destacam meu vô, meu pai, minha mãe e minhas irmãs.

Larissa: Um dos meus maiores incentivadores para que eu começasse a laçar foi meu avô Túlio José Rossi, ele era orelhador e um dos fundadores do CTG Porteira do Rio Grande.

Vanessa: Meu pai e também meu irmão mais velho que já laçavam a muito tempo.


Como são as suas rotinas de treinos?


Alexandra: Não treino muito, pois eu faço faculdade em Caxias do Sul e estou sempre viajando nos finais de semana para a Vacaria. Quando sobra um tempo vou para a fazenda com a família. Pratico o laço não por esporte, mas por necessidade da lida campeira a qual eu amo e faço desde que me conheço por gente.

Larissa: Eu treino de duas a três vezes por semana. Quando tem um rodeio grande eu treino todo o dia com o gado correndo ou no boi mecânico, mas depende o tamanho do rodeio que vai ter no final de semana.

Vanessa: Eu treino somente no boi mecânico uma ou duas vezes por semana. Também treino na vaca parada que ajuda bastante pra melhorar a boleada e a pontaria também.


Quantos campeonatos vocês já participaram e venceram?


Alexandra: Estou participando apenas do meu segundo campeonato. Ainda não venci nenhum.

Larissa: Eu vou citar alguns campeonatos que já venci: Fui campeã do rodeio da Festa do Pinhão em 2016; fui uma das campeãs da força C do laço prenda em Lagoa Vermelha deste ano. Também tenho vários troféus dos rodeios de Esmeralda, Pinhal da Serra e Muitos Capões.

Vanessa: Já participei dos campeonatos municipais de laço de Vacaria, Campestre da Serra e Ipê, que é a cidade onde eu moro. Hoje só participo do campeonato de Monte Alegre dos Campos.  Já fui campeã em todos eles, inclusive esse ano venci pela terceira vez a temporada do campeonato de Monte Alegre dos Campos na modalidade de prenda que se encerrou no último final de semana.  Também já fui campeã do duelo de prendas em Nova Pádua, do Rodeio Nacional de Antônio Prado, modalidade prenda, campeã do Rodeio Nacional de São Marcos na modalidade laço casal e modalidade pai e filha do Rodeio da Cabanha Canhada Funda de Monte Alegre dos Campos. Esse último foi especial para mim porque por incrível que pareça todos esses anos que laço faz doze anos  e foi a primeira vez que ganhei essa modalidade.


Atualmente vocês laçam em algum quadro de laçadores? Como é o convívio de vocês com os outros laçadores durante os rodeios?


Larissa Costa. Arquivo pessoal


Alexandra: Atualmente laço o campeonato da cidade de Ipê.  Participo do quadro Querência dos Amigos do Laço. Meu convívio com outros laçadores é sempre ótimo. Graças a Deus tenho muitos amigos. E estou sempre fazendo novas amizades nos rodeios que participo.

Larissa: Eu já participei de vários campeonatos como de Esmeralda, a cidade que eu moro atualmente e também o campeonato municipal de laço de Vacaria onde já fui campeã e também fiquei em segundo lugar. Atualmente estou laçando pelo CTG Pelego Preto que é uma família que todo mundo se ajuda e cada rodeio que a gente é uma alegria e união entre nós.

Vanessa: Eu laço para o Quadro Cabanha Mato da Luz, de Monte Alegre dos Campos. É um quadro que meu pai montou em 2014. Sobre o convívio com os outros laçadores a rivalidade é só em cancha, até porque as maiorias das minhas amizades são de rodeio.


Vocês participam da modalidade laço duplas?


Alexandra: Minha parceira é a Amanda Reis, uma das pessoas que me incentivou muito no início. Ela laça há mais tempo que eu. E foi ela quem sempre me deu muitas dicas, convidava pra laçar junto e muitas vezes me emprestou sua égua para laçar. E essa dupla deu certo. Espero que dure pra sempre.

Larissa: Nos rodeios particularmente eu não laço mais em duplas. Às vezes quando uma das minhas amigas me convida, eu laço com elas. Nunca tive uma dupla fixa. Sempre laço na modalidade prenda.

Vanessa: Meu parceiro de dupla é meu marido. Nós laçamos junto desde que começamos a namorar em 2012.  Ele nunca deixou de laçar comigo para laçar com outro parceiro. Se em alguma modalidade precisamos trocar o parceiro, nós trocamos. Entretanto, sempre preferimos laçar nós dois juntos.


Como vocês veem o crescimento de mulheres praticando tiro de laço nos dias atuais?


Alexandra: Com certeza vem crescendo a cada dia, mas ainda precisamos de muito mais apoio, porque querendo ou não ainda é um esporte masculinizado. É bem complicado para uma mulher sair para um rodeio sozinha, pegar a estrada, com carretão e cavalo sem estar na companhia de outros.

Larissa: Antigamente não existiam muitas mulheres para essas lidas brutas, porque tiro de laço era mais para os homens. Hoje a mulher não só no laço, mas em qualquer atividade campeira e como dizem: lugar de mulher é onde ela quiser.

Vanessa: A cada dia que passa vem crescendo mais o número de mulheres que laçam em rodeio. Em Cachoeira do Sul todo ano tem um rodeio só para as mulheres. Também existem em outros rodeios que tem uma premiação uma diferenciada para as mulheres.


Vocês acreditam que um dia uma dupla de mulheres poderá vencer a categoria principal do Rodeio de Vacaria?


Alexandra: Com certeza. Hoje temos mulheres que laçam muito bem. E tudo é uma questão de dedicação, treino e tempo disponível.

Larissa: Acredito que podem sim vencer o Rodeio de Vacaria, mas como também qualquer grande rodeio. As mulheres se destacam em qualquer lugar que elas vão.  A força de vontade de uma mulher é maior do que qualquer homem. Acredito que em 2020 teremos duplas de laçadoras campeãs no Rodeio de Vacaria.

Vanessa: Tem mulheres como Ariane Soares, Amanda Vaz e Amanda Rosa que já laçam mais do que muitos homens. Onde elas passam são campeãs. Laçam de igual pra igual com os homens. Não existe mais essa que homem laça mais que mulher.


O que uma pessoa precisa ter para se tornar um bom laçador (a)?


Vanessa Santos. Arquivo pessoal



Alexandra: Humildade, nunca achar que está laçando melhor que os outros ou se achar melhor que alguém. Assim como você tá laçando bem hoje, amanhã pode não laçar nada. Sempre escutar a voz da experiência, e assistir os bons laçadores para tentar fazer igual ou se corrigir. Sempre acreditar que você é capaz, e nunca desistir.

Larissa: Para qualquer pessoa seja um bom laçador tem que ter em primeiro lugar força de vontade. Se a gente não tem força de vontade para fazer alguma coisa não chegamos a lugar nenhum. Também é preciso treinar muito e sempre que possível pegar dicas com bons laçadores para adquirir mais conhecimento.

Vanessa: Em primeiro lugar humildade, pois tem que saber ganhar e perder. Treinar, sempre treinar para se tornar melhor um bom laçador (a).


O que significa o tiro de laço em suas vidas?


Alexandra: Para mim um momento de prazer que só abro mão em função da família, faculdade, ou algum motivo maior que me impeça de estar presente.

Larissa: O tiro de laço se tornou uma coisa muito boa em minha vida, pois estou fazendo ou que eu gosto. Conheço muitas pessoas e faço novas amizades. O convívio num rodeio é bom para quem gosta do ambiente. Eu incentivo qualquer que gosta do laço começar a praticar o tiro de laço, pois quando você começa, não consegue mais parar.

Vanessa: O laço é tudo para mim. Não me vejo longe do tiro de laço, pois é bem mais que um esporte, onde tem um rodeio tem várias famílias. O laço é, com certeza, o esporte da família.

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