segunda-feira, 20 de maio de 2019

A história da Rancheira


A Rancheira é uma versão da mazurca, muito divulgada no século XIX em toda a comunidade europeia. Este ritmo é também muito conhecido no sul da Argentina como ranchera ou, inicialmente, “mazurca de rancho”.

No Rio Grande do Sul, segundo Paixão Cortes e Babosa Lessa, a divulgação deste ritmo se deu em maior escala com o aparecimento do rádio, sendo uma versão regional da mazurca polonesa.

Foto: ABC do Gaúcho


Sua coreografia é executada de três maneiras: primeiro como uma espécie de valsa, típica da fronteira; depois, à maneira serrana, a rancheira sendo dançada com maior vitalidade, com forte marcação na primeira batida; finalmente, ela é dançada no litoral, onde sua forma mais usada é a marchadinha, ou seja, com passos duplos de terol.

Segundo Paixão Cortes e Barbosa Lessa são passos duplos de marcha, quando o homem empurra e puxa a mulher e onde o par se segura nos cotovelos, como a Chimarrita Balão (dança do folclore gaúcho).

Na primeira maneira de dançar, ou seja, na rancheira da fronteira, a marcação é como valsa, mas com a diferença de que é feita uma forte marcação no primeiro passo, no tempo mais forte da música, esta maneira é mais utilizada na fronteira do Estado.

A segunda é a rancheira serrana, cujo passo é executado saindo do chão, com vitalidade e sendo mais pulada, mas mantendo os passos da primeira. A diferença está na execução.

A terceira marcação possível é a de utilizar sua coreografia é de forma puladinha ou marchadinha, como a utilizada no litoral do Rio Grande do Sul.

Para ilustrar o estilo da Rancheira, te aprochega e confira o clipe da música “Só Dá Rancheira” do Grupo Minuano:


sexta-feira, 10 de maio de 2019

Seleção Gaúcha de Futebol


A Seleção Gaúcha de Futebol é uma seleção de futebol convocada pela Federação Gaúcha de Futebol (FGF). É composta por jogadores gaúchos.

A seleção não é reconhecida pela FIFA. Seu uniforme era todo branco com três listras com as cores da bandeira do Rio Grande do Sul na parte frontal da camiseta.

Em 1936, foi vice-campeã do Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais. O jogo mais marcante da Seleção Gaúcha foi contra a seleção Brasileira, jogo com o placar de 3 a 3 (Beira-Rio, Porto Alegre, RS). Neste jogo, o Estádio Beira-Rio, que pertence ao Internacional de Porto Alegre teve sua máxima lotação, mais de 106 mil pessoas estavam no Estádio.

Seleção Gaúcha de 1978.


A Seleção Gaúcha ainda realiza amistosos de categoria de base, em especial contra o Uruguai.


Campeonato Pan-Americano de 1956


O Campeonato Pan-Americano de Futebol de 1956 foi a segunda de três edições do Campeonato Pan-Americano de Futebol, para a disputa o Brasil enviou um combinado da dupla Gre-Nal, chamado de seleção gaúcha.

Atletas: Valdir, Sérgio, Paulinho, Oreco, Figueiró, Florindo, Airton, Ênio Rodrigues, Ortunho, Duarte, Odorico, Sarará, Jerônimo, Ênio Andrade, Milton, Luizinho, Hercílio, Bodinho, Larry, Juarez, Chinesinho, Raul Klein;

Dirigente - Saturnino Vanzelloti, Treinador - Teté, Massagistas - Moura e Biscardi, Médico - Derly Monteiro, outros - Chicão, Miguel Lardiez;


Em 1971, a Seleção do Rio Grande do Sul empatou em 1 a 1 com a Argentina, em jogo realizado no dia 19 de maio de 1971 no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, em amistoso internacional em homenagem ao Dia do Cronista. O árbitro foi o argentino Miguel Comesaña, com Agomar Martins e José Luis Barreto nas bandeiras. Bráulio, o Garoto de Ouro, do Internacional, fez 1 a 0, aos 11 minutos do segundo tempo e Fischer empatou aos 23 da etapa final. A Seleção Gaúcha, do técnico Professor Ribeiro, jogou com Gainete [Internacional]; Arceu [Cruzeiro], Bibiano Pontes [Internacional], Beto [Grêmio] e Ortunho [Cruzeiro]; Jadir [Grêmio], Tovar [Internacional] e Gaspar [Grêmio]; Flecha [Grêmio] (Carlos Castro – 22’/2 [São José]); Bráulio [Internacional] e Claudiomiro [Internacional] (Didi [Cruzeiro]). A Argentina, do técnico Rubém Bravo, alinhou com Marin; Dominichi, Rezza, Laraignée e Heredia; Landucci, Pastoriza e Veglio (Madurga – 14’/2); Marcos, Bianchi (Fischer – intervalo).


Jogo Histórico de 1972: Seleção Gaúcha X Seleção Brasileira


O Brasil em 1972 vivia sob o regime militar, liderado pelo então presidente Médici. No campo esportivo e, porque não, no campo político, a Seleção Brasileira, Tricampeã em 1970 era um motivo de orgulho para a nação.

Naquele ano de 1972, o técnico Zagallo convocou a seleção canarinho para a Taça Independência, em comemoração aos 150 anos de emancipação do País.

Na convocação, Zagallo não chamou nenhum jogador do Rio Grande do Sul, quando era esperada a convocação do jogador do Grêmio, o tricampeão Everaldo e do centroavante Claudiomiro, que vivia uma grande fase no Internacional.

A discussão não era com relação aos jogadores de Rio e São Paulo, pois, sem sombra de dúvida, tinham o melhor futebol do país na época. A celeuma era no que condizia à convocação dos jogadores de Minas Gerais, que rivalizava com o Rio Grande do Sul como terceira força do futebol brasileiro.

Tal fato gerou algo inusitado: a união de gremistas e colorados contra a Confederação Brasileira de Desportos.

O presidente da Federação Gaúcha de Futebol na época, Rubens Hoffmeister, agiu nos bastidores de modo a realizar um amistoso contra a seleção brasileira antes da Taça Independência.

Após muitas conversas, o jogo foi marcado para 17 de junho de 1972 no Estádio Beira-Rio.

No dia do jogo, o Beira-Rio estava lotado, com um público de 106.554 torcedores. E a torcida estava exaltado. Reza a lenda que até bandeiras do Brasil foram queimadas antes do início da partida, fato não confirmado pela imprensa local.

Entretanto, os dois times entraram em campo segurando uma grande bandeira brasileira. Uma vaia grandiosa foi ouvida no estádio quando foi tocado o hino nacional.

O jogo terminou empatado em 3 a 3, sendo que a seleção gaúcha sempre esteve a frente no placar. Quando o jogo terminou empatado, o treinador Zagallo correu e comemorou eufórico junto à comissão técnica.

Os gols do Brasil foram marcados por Jairzinho, Paulo César Cajú e Rivellino. Pela Seleção Gaúcha, marcaram Tovar, Carbone e Claudiomiro.

O Brasil jogou com Leão (Sérgio) – Zé Maria, Brito, Vantuir e Marco Antônio; Clodoaldo, Piazza e Rivelino; Jairzinho, Leivinha e Paulo César Caju.

Os gaúchos atuaram com Schneider, Espinosa, Figueroa, Ancheta e Everaldo; Carbone, Tovar e Torino; Valdomiro, Claudiomiro e Oberti (Mazinho).



Torneio Internacional do Uruguai


A Seleção Gaúcha Sub-20 disputou um torneio internacional em Trinidad, Flores no Uruguai, entre os dias 18 de dezembro e 22 de dezembro de 2012, a convite da Asociación Uruguaya de Fútbol (AUF). O comando técnico ficou a cargo de Thiago Gomes Pacheco. A equipe terminou em 2º lugar.


Títulos


Torneios amistosos: Taça Atlântico-Sul: 1974.

Categorias de base: Campeonato Brasileiro de Juniores (Sub-20): 1981 / Campeonato Brasileiro Juvenil de Seleções (Sub-17): 2002 / Copa de Seleções Estaduais Sub-20: 2017.

sábado, 4 de maio de 2019

Cavaleiros da Paz


O grupo Cavaleiros da Paz surgiu há 28 anos em Porto Alegre e realiza cavalgadas pelo mundo afora levando os costumes e o folclore do Rio Grande do Sul para 13 países, nos cinco continentes.

Grupo Cavaleiros da Paz na África. Foto: Eduardo Rocha


Tudo começou quando tradicionalistas liderados por Nico Fagundes (falecido em 24 de junho de 2015) cavalgaram de Palmares do Sul a Tramandaí, caminho percorrido pelos lanchões de Garibaldi durante a Revolução Farroupilha.


Depois veio o desafio de reproduzir o trajeto da Guerra do Paraguai com a bandeira branca da paz, naquela que foi a primeira cavalgada oficial da Confraria.


Te aprochega e confira a música “Cavaleiros da Paz” de Os Fagundes, feita para homenagear este grupo:


quarta-feira, 1 de maio de 2019

Poesia do Chimarrão


Imagem: Mano Lima: o bagual (Facebook)

Amargo doce que eu sorvo

Num beijo em lábios de prata.

Tens o perfume da mata

Molhada pelo sereno.

E, a cuia, seio moreno,

Que passa de mão em mão

Traduz, no meu chimarrão,

Em sua simplicidade,

A velha hospitalidade

Da gente do meu rincão.


Poesia retirado do site Página do Gaúcho

domingo, 28 de abril de 2019

Os efeitos da distância na vida de imigrantes


Nosso povo se destaca por ser hospitaleiro. Quem dá um “Oh de Casa!” não chega em tapera quando bate as portas de nossa querida e lendária Vacaria. Mas receber visitantes que vem de muda e em busca de dias melhores exige ainda mais do que nossa hospitalidade.

Na semana que se passou, vimos um dos imigrantes senegaleses dar fim a sua vida, após entrar em estado depressivo. E ficou a pergunta: o que será que faltou?


A acolhida


Vacaria, pela ação de alguns de seus cidadãos, trouxe acolhida aos estrangeiros que vai além do respeito e civilidade. Deu-se oportunidades aos irmãos de Terra para que pudessem ser viventes com condições de garantir a subsistência.



Os imigrantes senegaleses ganharam um curso de língua portuguesa, para que pudessem se comunicar no seu trabalho como vendedores de itens populares. Também tiveram seus pequenos comércios alocados na nova estrutura de camelódromo.

Com todo esse esforço, seria de se esperar que a situação favorável à vida digna dessa plena felicidade. Mas nossos amigos, ainda assim, podem ficar um pouco alcatruzados... e isso merece nosso cuidado.


As tristes despedidas


Quando alguém decide abrir carreiro e explorar novas terras, carrega consigo o desejo de felicidade e prosperidade. Pode também querer reunir alguns patacões para melhorar a vida de suas famílias, com quem pretende se reencontrar em momento futuro.

A vida em outras terras pode ser dura: Há todo um processo de adaptação e luta para poder sobreviver onde a solidão é constante e não se sabe nem a língua. E se algo for mais simples, com a ajuda que houve em Vacaria, ainda assim há desafios a superar.

Houve uma família que ficou, sonhos que mudaram e, um ser humano que precisa de forças para lutar. Para qualquer pessoa quase se mude de sua terra, fica a lição: isso precisa ser muito bem pensado, principalmente a ponto de evitar que essa distância inviabilize ver a família e matar as saudades. Isso é tão importante quanto ter como obter o sustento do rancho e a boia nossa de cada dia.

Se foi triste a despedida do caro amigo senegalês de seus parentes, outra triste despedida se sucedeu. O mesmo foi encontrado, já sem vida, após incansável busca. Qualquer pessoa de nossos pagos da lendária ficou pensando no que ocorrera, no porquê desse fim.

E a resposta está em frente, como a novilha que corre na cancha de laço. Migrantes precisariam saber melhor que pôr o pé na estrada pode ser difícil. Existe acompanhamento psicológico e ajuda a quem sentir que a vida pode perder o sentido (fortemente divulgada na mídia), mas isso é difícil a eles. Nem todos reconhecem o estágio de suas tristezas, e que isso está afetando suas vidas.

Talvez fosse algo importante acompanhar como está a estima de nossos caros novos cidadãos vacarianos. Que a notícia da morte sirva para dar atenção à vida, cuja preciosidade é inestimável.
 

sábado, 27 de abril de 2019

CTG é lugar de música gaúcha


Nesta sexta-feira, dia 26 de abril, o cantor da banda Furacão da Vanera, Kauan Rodrigues, publicou nas redes sociais do grupo um vídeo em que ele faz um desabafo sobre o uso da pilcha e do estilo musical tocado nos CTGs (Centro de Tradições Gaúchas).


No vídeo Kauan relata que quando o Furacão da Vanera toca em CTGs e em rodeios, eles são obrigados pelos contratantes a tocarem pilchados, usando bota, bombacha, camisa e lenço, sendo que o repertório da banda não é 100% gaúcho. Ele comenta também que o contratante e o principalmente o público querem que a banda toque outros estilos como sertanejo, funk e rock, porém a banda precisa usar pilcha para se apresentar.

Cartaz de divulgação de bailes do Furacão da Vanera em que os integrantes estão usando pilchas. Foto: Furacão da Vanera/Divulgação


Durante o desabafo ele relatou que o Furacão da Vanera tocou por uma hora um repertório apenas com músicas gaúchas, mas que as pessoas queriam que eles tocassem o repertório da banda que mistura outros estilos musicais a com vanera. Ele confessou que não gosta de usar pilchas e queria o Furacão da Vanera se apresente em CTGs usando roupas normais e que o nem o público que frequenta os CTGs não usa pilchas nos bailes.


Opinião do Repórter Riograndense


Eu sou da geração dos anos 2000 que viu grupos gaúchos como Tchê Garotos, Garotos de Ouro, Tchê Barbaridade, Tchê Guri entre outros criarem o estilo chamado “tchê music” que mistura a música gaúcha com outros estilos musicais.


No início, esses grupos deixaram de usar pilchas em suas apresentações e a tocarem em CTG’s e rodeios. Neste mesmo período, o grupo Os Serranos lançou o slogan que usa até hoje: “o grupo que tem orgulho de ser e permanecer gaúcho”.


Atualmente os grupos pioneiros da tchê music voltaram a usar pilchas e a tocarem em CTGs misturando os sucessos do passado com as músicas atuais. Outros grupos como Tchê Chaleira, Estação Fandangueira e Sorriso Lindo mesclam apresentações em CTGs usando pilchas com apresentações em casa de shows onde eles tocam usando roupas normais.


Acredito que existem espaço para todos estilos musicais e que o Kauan não queria desrespeitar a música gáucha. Mas minha opinião é quem vai a um baile em CTG vai para ouvir música gaúcha e não funk. Dias atrás fui a um bar em Porto Alegre que tocava samba e MPB. Eu sabia que o último estilo que ouviria neste bar seria música gaúcha.


Amo demais a música fandangueira, mas sou aberto a ouvir outros estilos. Vejo que bandas que tocam bandinha - outro estilo musical muito popular no Rio Grande do Sul - dedicam uma parte do baile de tocar clássicos da música gaúcha como "Alambrador", "Bombacha Preta", "Floreando a Cordiona" entre outros. O que deixou decepcionado foi o fato do cantor do Furacão da Vanera não gostar de usar pilchas.


Eu mesmo tenho orgulho e gosto de usar bota, bombacha, lenço, chapéu, alpargata e boina, mas não uso tanto quanto deveria porque para você montar uma indumentária gaúcha é muito caro para muitas pessoas, inclusive para mim. Quando estudava no colégio ou na faculdade na época da Semana Farroupilha fazia questão de ir pilchado para a aula pelo menos uma vez por semana, assim como quando tem o Rodeio de Vacaria, de pelo menos um dia usando pilcha.


Torço pelo sucesso do Furacão da Vanera e outros grupos, porém todos nós temos a nossa parcela de culpa: os músicos que não gostam de usar pilchas, os contratantes que não sabem escolher o grupo ideal para seu evento e principalmente boa parte do público, sempre há exceções, que quer ouvir um grupo gaúcho cantar as músicas do (a) Pablo Vittar.


Temos muitos que aprender com música sertaneja, em que o sertanejo universitário não acabou com o sertanejo raiz, e ainda assim, um artista busca ajudar o outro. Por isso o sertanejo é um dos gêneros mais populares do Brasil. Ainda quero ver esta união na música gaúcha desde a nativista até a tchê music. 


Mateus Rosa - Repórter Riograndense

Jornalista MTB/RS 18.551


Confira a seguir o vídeo em que o cantor da banda Furacão da Vanera faz o seu desabafo:





quarta-feira, 24 de abril de 2019

Dia do Chimarrão e do Churrasco


O chimarrão é considerado um dos principais símbolos da cultura gaúcha, visto não apenas como uma bebida de paixão entre os sulistas do Brasil, mas também como um importante conector social.
O ato de “tomar um mate”, como se diz no Rio Grande do Sul, pode ser interpretado como um convite social, visto que o chimarrão é uma bebida normalmente apreciada e compartilhada em grupos.

Em homenagem a este símbolo de grande importância para o gaúcho, foi criado o Dia do Chimarrão e do Churrasco, instituído a partir da Lei Estadual nº 11.929, de 20 de junho de 2003.
A escolha do dia 24 de abril para celebrar o chimarrão e o churrasco (considerado uma comida símbolo dos gaúchos), é uma homenagem a fundação do primeiro Centro de Tradição Gaúcha do mundo – CTG 35, em 24 de abril de 1948.
A tradição de fazer uma espécie de chá feito com a erva-mate era comum entre os indígenas que habitavam a região sul do Brasil e atual Uruguai, principalmente entre os guaranis, aimarás e quíchuas.
Dia do Chimarrão e do Churrasco é comemorado anualmente em 24 de abril.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Bugio: o único ritmo genuinamente gauchesco


De todos os estilos musicais da música gaúcha, o único estilo 100% gaúcho é o bugio. Aqui no blog Repórter Riograndense vamos fazer uma breve explanação sobre o surgimento deste que é o único ritmo parido em nossa terra, ou seja, o Bugio.

Segundo o dicionário da língua portuguesa, bugio significa uma espécie de macaco. Tal animal seria oriundo da Argélia, mais precisamente da cidade de Bugia, que leva o nome por dizer-se o berço do citado primata. Figurativamente chama-se de bugio o indivíduo feio, desengonçado, que imita os outros. Macaqueador.

Uma característica marcante dos bugios é a presença do osso hióide (gogó) muito desenvolvido nos machos, que atua como câmara de ressonância e amplificação, conferindo a esses animais uma vocalização ímpar e mais acentuada, quando o tempo está para chover. Segundo os mais antigos “se o bugio roncou no mato, é chuva grossa de fato” e nenhum campeiro saía para suas lides sem a capa na garupa.



Pois foi para imitar esse ronco que surgiu como o único ritmo genuinamente gauchesco, visto que todos os outros como a vaneira, xote, valsa entre outros são “importados”. A eterna e inútil discussão é onde surgiu o ritmo. Alguns historiadores dizem que foi em São Francisco de Assis, através do gaiteiro Neneca Gomes. Outros, como Os Bertussi, defendem que a origem do balanço sincopado apareceu pela primeira vez lá pelas bodegas do Juá, em São Francisco de Paula, através do gaiteiro Virgílio Leitão.

O pesquisador e folclorista Paixão Côrtes considera que é muito perigoso precisar o nascedouro do gênero musical característico do Rio Grande e que deve ter sido bem depois da Guerra do Paraguai, pois em pesquisas discográficas da época do gramofone, entre o período de 1913 a 1924, nunca aparece o gênero bugio.

Em defesa de sua tese, o folclorista alega que em “gaita de botão”, por ser de “voz trocada”, isto é, abre num tom e fecha em outro diferente, não se pode realizar o “jogo-de-foles”, que caracteriza a imitação do primata, recurso só obtido em gaita pianada, que aparece por estas bandas mais ou menos ao findar da guerra com o país vizinho.

O que se sabe, e isto está provado por registros fonográficos, é que foram os Irmãos Bertussi os primeiros a gravar em disco o ritmo bugio, com a música “Casamento da Doralice” no LP Coração Gaúcho.

E foi Adelar Bertussi, mais recentemente, que apresentou uma pesquisa intitulada “O Bugio na Mulada”, onde retrata o aparecimento do ritmo em sua terra natal, no interior de São Francisco de Paula. Segundo suas observações, fruto de diversas entrevistas, o gênero já era dançado na região serrana, antes de 1918, pelos bugres descendentes dos índios caingangues que habitavam as encostas do Rio das Antas e os tropeiros birivas açorianos.

Conta-se que, tal qual o tango argentino que foi parido na zona portuária de Buenos Aires e, inicialmente, era proibido de ser executado nos salões nobres por ser considerado um ritmo degradante pois permitia aos dançarinos um “roça-roça” inconcebível para a época, o bugio também só era retrechado nos bailes de ralé onde o cheiro da canha, o lusque-fusque das lamparinas e o perfume de baixa qualidade faziam parceria para o embalo que tomava conta dos bailões de fundo de campo. Seu compasso sincopado convidava aos bailarinos dançarem meio acotovelados e imitando os passos do bicho bugio.

Uma das características deste animal está relacionada com as suas reações ante uma adversidade, quando ele excreta e lança as fezes sobre seus adversários, ou seja, sua arma é seu esterco. Por esses motivos, quando gente de baixo quilate discute asperamente, as pessoas mais experientes aconselham: – não te mete, isto é briga de bugio!

Te aprochega e confira o grupo Os Serranos interpretando a música Bugio do Rio Grande, para entender esse estilo autenticamente gaúcho:

segunda-feira, 22 de abril de 2019

As origens do Chamamé


O Chamamé é um gênero musical tradicional da província de Corrientes, Argentina. O chamamé se expande também pelo Paraguai e por vários locais do Brasil, principalmente nos estados do Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul.

A dança se originou na tribo indígena "Kaiguá", entre Brasil e Corrientes, e era conhecida como “Polkakirei”, uma polca movida em ritmo ágil. A palavra “chamamé” estive origem da frase “Che amoa memé” que significa “te protejo”. A palavra chamamé não é guarani e nem espanhola. Por isso, não há uma tradução para chamamé.



Para os argentinos, chamamé significa "senhora ama-me". No Brasil, a palavra tem o significado de "chama-me para bailar" ou "aprochegar-se de mim".


Desenvolvimento


O chamamé está cada vez mais abrasileirado. Depois de introduzir no Rio Grande do Sul, perdeu-se parte de sua originalidade, formando uma legião de apreciadores e enriquecendo o repertório das canções regionais passo a passo e acrescentou alguns instrumentos locais e típicos. Por tanto, este ritmo se tornou um dos mais presentes nos fandangos gaúchos. 


Influência

 
O chamamé permite a improvisação e será o jazz do novo milênio. Ele está tão aculturado que não tem mais o que ser mexido. O ritmo é considerado como o rei dos bailes gaúchos. Hoje, não há festa em que ele não esteja presente.


Caraterísticas


O chamamé é dançado em compasso ternário, ou seja o chamamé valsado.
Na Argentina, o chamamé é cantado e tocado, acompanhado pelos “sapucays” (que, em guarani, significa "grito da alma") é o único a permitir a emissão de sapucays e também o único a utilizar acordeão de botão. 

Um dos maiores sucessos da música gaúcha, Gritos de Liberdade, do Grupo Rodeio é o maior exemplo do chamamé gaúcho. Te aprochega e confira esta marca:


quinta-feira, 18 de abril de 2019

A história da milonga


A milonga também é chamada por ritmo rio-platense, porque é comum na área de Argentina, Uruguai e Rio Grande Sul. Embora o ritmo seja muito conhecido na Argentina, teve muita influência no Rio Grande do Sul, formando parte das tradições gaúchas.

O termo “milonga” vem de uma palavra africana que significa “palavra”, também fazem a relação às origens com alguns tipos de danças africanas que se dançavam entre um homem e uma mulher, o que também se tornou uma característica da milonga.

Milonga rio-grandense. Foto: Estância Virtual


No início, a milonga era um tipo de poema cantado, onde as letras eram mais importantes do que a música. Quando este ritmo foi evoluindo, as músicas viraram mais complexas e um pouco mais rápidas.  Este ritmo surgiu no século XIX com os gaúchos argentinos e depois se introduziu ao Brasil pela fronteira com Argentina. Era uma música principalmente cantada pelos “payadores” acompanhados pela guitarra, logo depois se incorporaram instrumentos como a flauta, o piano e o violino.

A milonga foi influenciada por outros ritmos como o candombe, a mazurca e a valsa, e foi se formando o tango, ritmo que se tornou famoso mundialmente e foi evoluindo paralelamente à milonga. O termo milonga depois virou conhecido por ser uma dança, similar ao tango. Porém, o jeito de dançar milonga muda por regiões, por exemplo, a milonga rio-grandense gaúcha é uma dança calma.

Pelas influencias à dança, ela possui giros lentos entre outros cortantes, lembrando os ganchos e sacadas do tango. Em 1968 o conjunto Farroupilha gravou pela primeira vez uma milonga no Rio Grande do Sul, “A Milonga do Bem Querer”.

Na Argentina, o local onde as pessoas vão dançar tango, o salão de bailes, também é chamado de milonga. 

Um exemplo de milonga é a música "Milonga Abaixo de Mau Tempo", composição de Mauro Moraes e eternizada na voz do saudoso cantor nativista, José Cláudio Machado. Te aprochega e confira essa música:





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