segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Você sabia que existe um logo nunca usado pelo Jornal do Almoço?


O Jornal do Almoço é um dos mais antigos telejornais gaúchos. Em um tempo onde a rádio parecia imbatível, ele passou a abrir espaço na rede nacional, a TV Globo, para o noticiário local. O sucesso foi tanto que a Rede Globo estendeu a ideia para todas as afiliadas, no que chamou de Praça TV primeira edição.

Logo atual / Reprodução - RBS TV


O Jornal do almoço é o precursor do praça TV. Nada mais justo do que ter identidade própria, coisa que a RBS TV cuida e mantém. Trilha sonora, pacote gráfico e cenários possuem especificidades que só esse telejornal possui.

Em Santa Catarina, entretanto, a venda para a NSCTV fez com que o Jornal do almoço se descaracterizasse por lá. Cenários e aberturas azuis e cinzas levaram o JA a virar um SC1 disfarçado com gerador de caracteres fixo poluindo o monitor, além da trilha sonora nacionalmente usada.

Tanto em SC como no RS, antes de a NSCTV existir, a RBSTV trabalhou na criação de uma nova identidade para seu telejornal do meio-dia. Ela foi criação de Humberto Mogetti, que apresenta esse trabalho em seu portfólio no site pessoal (abaixo):

Logo (parte de um novo pacote gráfico) criado por Humberto Mogetti


Esse trabalho foi uma parceria com Carlos Porto. Como Humberto saiu da emissora, o projeto não foi concluído. Provavelmente receberia trilha sonora instrumental de Jean Presser, responsável pelas trilhas do canal.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Os Chacreiros


O canto que brota da goela de um cantador de campanha, da cordeona debochada de um gaiteiro de galpão, da alma da gente da fronteira oeste.

Entre o silêncio do mate madrugueiro, o dia a dia de trabalho e as prosas a beira do fogo se figura um cotidiano aquém do mundo moderno, onde os habitantes desse universo são homens livres do tempo.



Um cantar, somente..., mas que vem do lugar mais sagrado pra um homem de campo: do coração!

Então quatro amigos do Alegrete se uniram na busca de ilustrar este mundo em música e poesia, e com eles trazem suas vivencias, seus amores e suas esperanças. Num canto, somente... Nem melhor e nem pior.


A dupla Gerson Brandolt e Beto Vilaverde, já possui quatro CD’s gravados; o Cristiano Fantinel tem três; e o Passarinho Teixeira Nunes já assinava várias das composições com ambos. O porque, então??

Quando o serviço aperta se pede quarteada pros seus!

O compromisso do grupo Os Chacreiros é com a arte terrunha do nosso estado e nossa causa é exclusivamente a de contribuir para que se torne a cada dia mais viva nos ranchos do povo gaúcho.  


Te aprochega e confira o clipe da música "No Cabo do Socador":




sábado, 5 de janeiro de 2019

CD Uiliam Michelon Quarteto


O projeto Uiliam Michelon Quarteto, de Vacaria – RS lançou uma página no site Cartarse para conseguir o financiamento coletivo para a gravação do primeiro álbum. Puxe o banco, que nós te alcançamos o mate enquanto contamos um pouco sobre nosso projeto.

Poderíamos começar essa descrição falando sobre paixão. Quem sabe - diretamente - de música. De cultura. De acordeom. De tantos elementos que compõe esse universo incrível em que nos encontramos, que é a música instrumental autoral. Ao invés disso, iniciaremos falando de inspiração, afinal, toda paixão se move quando inspirada.

O Uiliam Michelon Quarteto não nasceu quarteto. Nasceu do desejo do acordeonista vacariano Uiliam Michelon em expandir e enriquecer o cenário da música instrumental. Somado a sua experiência junto ao cenário estadual, visto que ao longo de sua carreira esteve envolvido com festivais nativistas, rodeios, concursos e apresentações diversas pelo Rio Grande do Sul e até mesmo em outros diversos lugares do país.

Capa do CD Uiliam Michelon Quarteto. Foto: Estúdio F18


O tempo foi passando, os projetos surgindo, e com isso foram chegando mais três amigos.

Primeiro Thiago Carlotto, violonista, canhoto, cria da velha Vacaria, nome conhecido e respeitado no cenário nativista.

Amigo de longa data, quem sabe quase de uma vida toda, Everton Hoffmann, o Alemão, somou sua experiência, sua competência e seu contrabaixo ao projeto de Uiliam.

As baquetas controladas por Gleidson Dondoni marcaram o ritmo e somaram tanto, que dessa fusão de talentos, nasceu - definitivamente - o UM Quarteto.

Com ideias afinadas, começamos a pensar em espetáculos para valorizar a cultura da nossa gente, mostrar os quão preocupados e empenhados somos em levar a cultura não somente aos que querem, mas a todos aqueles que precisam ouvir. Com algumas apresentações, o grupo recebeu um carinho muito grande de um grande público que abraçou a essa ideia. E então surgiu a vontade imensa de produzir um CD do projeto.

Como funciona? Toma mais um mate que já iremos explicar.

O financiamento coletivo funciona como uma vaquinha virtual, onde o público financia um projeto através da compra de recompensas que variam de acordo com o valor contribuído. Se o valor total for alcançado dentro do prazo estipulado, recebendo o dinheiro arrecadado, será colocado o plano em prática, nesse caso, o primeiro CD de Uiliam Michelon Quarteto.

Mais poderoso que o silêncio que nos acalma, é a música que nos inspira. Que alma nunca viajou aos acordes de sua canção preferida? É na cultura que buscamos refúgio dos males que assolam. É nela que temos companhia, sintonia, poder de transcender.

Para colaborar com o projeto do primeiro CD de Uiliam Michelon Quarteto acesse: https://www.catarse.me/uiliam_michelon_quarteto

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Festa no Sentinela


No dia 19 de dezembro, o CTG Sentinela da Querência de Vacaria completou 54 anos de fundação.Para celebrar o aniversário da entidade, compartilhamos a poesia “Festa no Sentinela” de Ambrozio Souza.

Parabéns a todos membros do CTG Sentinela da Querência que tem a missão de preservar e divulgar às tradições gaúchas na Legendária Vacaria, a Capital dos Rodeios.

Festa no Sentinela

No ano de sessenta e quatro,
dezenove de dezembro,
revendo "ontem" eu me lembro
do CTG Sentinela
da Querência
, a cancela
do Rio Grande, sempre aberta,
quando o campónio desperta
com a lua ainda não tão bela.

A sede do CTG Sentinela da Querência fica Rua Petrópolis, 709 – Bairro Petrópolis.


Foi o grande Martimiano,
pai da Salete e o Pedrinho,
nosso primeiro padrinho
nosso primeiro Patrão.
Lembro-me do seu jeitão
sereno e moderador,
dos que quando cantam flor
são cobertos de razão.

Corria o ano sessenta e cinco
quando mãe convidou-me
e também ordenou-me
que levasse a minha irmã,
noite de chuva pagã
para um ensaio de invernada,
'stava a semente lançada
na lavoura do amanhã.

Foi na falta de um peão
lembro-me, no "Pau-de-fita",
o posteiro olha e me grita:
você aí que está parado,
deixe a preguiça de lado
complete o que está faltando,
uma prenda foi enganchando
e eu troteei muito assustado...

Se contassem os pelegos,
encilhava uma manada,
a prenda saiu pisada
olhando-me atravessado,
mas eu, todo encabulado
defendi-me como pude,
a empreitada era mui rude
e eu me sentia embaraçado.

Quando terminou o ensaio
eu estava bem abombado,
suava de todo molhado
como pinto em dia de chuva,
como um tonel de cabriúva
pelos poros destilando,
garanto, acabei gostando
como mão entrei na luva.

Depois, veio o Arquimimo
um Patrão trabalhador,
a voz do madrugador
no novo CTG falando,
a nova foi se espalhando
como fogo de verão,
nas rodas de chimarrão
era o Rio Grande brotando.

Roma não se fez num dia
nós também levamos alguns...
Uns por todos, todos por uns:
esteios, cepos, barrotes,
- bem firme para os trotes
dos pares soltos dançando -,
colunas vão levantando
sob martelos, aos magotes.

Depois de muito suarmos
ficou pronto certo dia,
foi na hora da "Ave Maria"
fechei meus olhos e orei,
depois que muito esperei
estava enfim terminado,
nesse dia fiz um feriado
e de meu sonho acordei.

Noventa e três, quatorze horas,
dia vinte e sete de abril,
num calor macho e viril
o telefone tocou...
Atendi dizendo: alou,
meu coração bateu forte,
como vento de Sul/Norte
porque tudo combinou.

A grande amiga Ibraina
falando-me do outro lado,
num misto de assustado
surpreso e muito contente.
- Imaginem este vivente,
depois de vinte e um anos,
longe do solo pampiano –
com a "voz" do pago ausente.

Era a Ibraina dos tempos
do "Sentinela" nascendo,
quando ainda aprendendo
não tínhamos nem galpão,
ensaiávamos num salão
lá pelo alto da Glória,
insipiava a trajetória
de um grupo todo ilusão.

Foi lá perto do Arquimimo
nosso primeiro galpão,
houve na inauguração
um fandango macanudo,
e dum jeito topetudo
nossa "invernada" dançou,
ali mesmo sentenciou
seu futuro seria taludo.

Naquele velho galpão
uma noite com meu pai,
a emoção me sobressai
ouvindo e vendo o cantor
Gildo de Freitas, trovador,
emotivo mui inspirado.
Escutando olhos fechados,
estava ali o protetor.

Naquele mesmo galpão
numa noite ensaiando,
quando me vi olhando
uma mestiça xirua,
dessas, que em noites de lua,
palanqueiam o matreiro,
sessenta e seis, janeiro,
estava maneado o charrua.

O homem põe, Deus dispõe,
para todos nasce o sol,
toda isca pertence ao anzol
era assim que nós pensávamos,
quando em reunião, estudávamos
o símbolo - nosso Centro -,
muitas noites frias adentro
fogo de chio esquentávamos.

Até que um dia afinal
Florentino se iluminou,
o quero-quero gritou
estridente, alvorotado,
pelos dois fachos ladeado,
sempre em pé, firme no chão,
com ares de redomão
que ninguém põe o socado.

E da ideia para o papel
satisfeito desenhei,
peço desculpas se errei
e se melhor eu não fiz,
o desenhista infeliz
com traços muito nervosos,
estava bastante orgulhoso
era o andejo aprendiz.
Finalmente ficou pronto
dando só para o gasto,
sou campo de pouco pasto
invernada sem valia.
Estou pronto neste dia
para a crítica e o abandono,
quero sereno meu sono
nos campos de Vacaria...

E "sempre alerta em defesa
da tradição
", nosso lema,
tendo a verdade por tema
muita altivez na conduta,
honestidade na luta
bondade no tratamento,
sem precisar juramento
ou maldade na disputa.

Que lindaço foi o fandango
"Sentinela", inaugurando,
com a noite começando
ouvir Os Cobras do Teclado,
num vaneirão bem marcado
me lembro: Chaleira Preta,
só se ouvindo as rosetas
de esporas, no sapateado.

Foi um Deus nos acuda
quando roncou um bugio,
me percorreu um arrepio
dos pés aos fios de cabelos,
me vi no campo de empelo
com uma mestiça ruana,
com ares de temporona
que guarda a "flor" nos peçuelos.

E foi como se fosse hoje
olhando assim para ali,
doutor Jarbas Lima, eu vi
engravatado, mui sério.
Todos no mesmo hemisfério
nosso chão representando,
era o pago engalanando
pelo Rio Grande gaudério.

Girando assim ao redor
neste salão em debrum,
vejo a faceteada um
dos que comigo começaram,
quanto suor que derramaram
sempre alegres e contentes,
cada qual, mais sorridente
sorrisos que apaixonaram..

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

“Pra Ti Guria”, novo clipe de Jorge Guedes & Família com Gilberto Monteiro


Foi lançado neste mês pela Família Guedes o novo clipe em especial ao fim de ano, gravado em São Nicolau na Casa de Pedra.

O clipe traz lindas imagens e a trilha sonora, é o clássico ''Pra Ti Guria'', do grande Gilberto Monteiro, que também participa desse projeto. A letra inédita foi escrita a trinta anos pelo missioneiro argentino Ramón Ayala, num encontro musical em Posadas, protagonizado por Jorge Guedes, Gilberto Monteiro e o compositor argentino.

Foto: Divulgação/Jorge Guedes & Família


O clipe está sendo muito bem aceito nas redes sociais e foi disponibilizado por Jorge Guedes & Família em todas as suas mídias digitais (Youtube, Facebook, Instagram).

O clipe também estará disponível no novo CD e DVD da Família, intitulado ''Pra Entender Quem Canta Assim'', um presente aos fãs e admiradores da boa música missioneira e gaúcha que será lançado no início de 2019, com participações especiais, músicas inéditas e clipes com uma produção bem conduzida pelo cineasta Diego Bellocchio, valorizando as origens e os lugares históricos da nossa região.

Te aprochega e confira o clipe “Pra Ti Guria” de Jorge Guedes & Família com Gilberto Monteiro:



sábado, 15 de dezembro de 2018

A barra do dia (Maria)

Poesia alegra o dia do vivente. Então, vamos mostrar para você essa criação do Roberto Hoffmann, nos versos a seguir.




"Saí com a barra do dia
Bem feliz e satisfeito.
Vou chamá-la de Maria
Pois não vê os meus defeitos;

E de mim sempre está longe
Mesmo assim, saio com ela
Mora lá, no horizonte
Madrugueira essa donzela

Passa o dia, passa a noite
Para ver ela novamente
Madrugada foi pernoite
Lá vem ela de repente

Maria, linda donzela
Antes do dia raiar
Novamente vejo ela
Quando a noite terminar."

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Projeto Fábrica de Gaiteiros


Os chineses 2.700 a.c. desenvolveram um instrumento onde o ar fazia vibrar palhetas produzindo um som, aproveitando a acústica da boca. Foi chamado Tcheng ou Cheng que viria ser a origem do acordeão.

Em 1822 o austríaco Cyrillus Demian constrói o 1º acordeão como conhecemos hoje. Era um acordeão diatônico.

No Brasil, o acordeão chegou ao Rio Grande do Sul pelas mãos dos imigrantes alemães por volta de 1836 e pela chegada da imigração Italiana a partir de 1875, primeiro trazendo instrumentos importados e logo em seguida começando a fabricá-los.

O acordeão parece simplesmente 2 caixas retangulares com um fole no meio. O que não se vê são as centenas de componentes que fazem com que as palhetas vibrem saindo os mais diversos sons. Melodias e acordes regionais, modernos, universais.

A madeira correta para a caixa de ressonância e castilhos, o papelão para o fole, o aço para as dezenas de palhetas determinam a boa qualidade do instrumento.

No Rio Grande do Sul ele se chama gaita e é um instrumento emblemático, principalmente no tradicionalismo. Não existe festa de CTG sem a gaita.


A gaita matou a viola.
O fósforo matou o isqueiro.
A bombacha o chiripá.
E a moda o uso campeiro.


Esta quadrinha anônima recolhida pelo folclorista Paixão Cortes resume a entrada da gaita no cenário cultural do Rio Grande do Sul. Segundo ele, posterior à metade do século XIX a então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul passou da música fandanguista para a música acordeonista ou do ciclo da viola para o ciclo da gaita , ou seja, A gaita foi um divisor de águas na história da música gaúcha. Mas o que poucos sabem é que o Estado já sediou mais de 20 fábricas e foi referência mundial na fabricação de acordeões ou gaitas.

Estas fábricas foram responsáveis pela história do acordeão no Brasil e, como vemos, quase todas estão desativadas ou passaram a fabricar outros produtos.

Unir esta tradição proporcionando inclusão social, aumentando a auto-estima e espírito de coletividade, ao mesmo tempo estimulando a sensibilidade e conhecimento da cultura local é a finalidade do projeto, com uma gaita social, que estimula crianças e jovens a se interessarem pelo instrumento, oferecendo aos mesmos as devidas condições para o aprendizado e para futura aquisição do instrumento, criando uma verdadeira Fábrica de Gaiteiros.

Acordeonista Renato Borghetti e os alunos do projeto Fábrica de Gaiteiros. Foto: Divulgação /Fábrica de Gaiteiros


A intenção da Fábrica de Gaiteiros é a fabricação de um acordeão 8 baixos não só para iniciação, mas que possa também se transformar em um instrumento definitivo, pela qualidade que se pretende imprimir. Outro aspecto importante do projeto está ligado ao conceito socioambiental do instrumento, confeccionado com madeira certificada de eucalipto, proveniente de plantios renováveis.


A Iniciativa


O acordeonista gaúcho Renato Borghetti, em suas viagens e shows pelo interior do Brasil e Rio Grande do Sul, recebe milhares de correspondências e pedidos verbais de fãs e admiradores. Entre tantas demandas, passou a carregar consigo algumas que considerou especiais: aquelas que solicitavam doação de gaitas ou auxílio para aquisição do instrumento, demasiadamente caro para os padrões brasileiros. “Essas cartas e e-mails me fizeram perceber o quanto era restrito o acesso da gaita-ponto aos interessados de baixa renda, evidenciando, assim, a carência de um projeto que permitisse o estímulo e a inclusão de jovens talentos na perpetuação da autêntica cultura gaúcha, através da gaita de oito baixos,” comenta Renato.


Objetivo Geral


A Fábrica de Gaiteiros é um projeto voltado à sociedade que forma alunos de acordeão diatônico, instrumento conhecido popularmente na região sul do Brasil como gaita de oito baixos.


Confecção e Meio Ambiente


A confecção dos instrumentos é realizada com madeira certificada de eucalipto, proveniente de plantios renováveis.

Formação Musical

O projeto atualmente acontece nos municípios gaúchos de Guaíba, Barra do Ribeiro, Porto Alegre, Tapes, Butiá, São Gabriel e Bagé e Lagoa Vermelha; e em Santa Catarina nas cidades de Lages e Blumenau, com a participação de mais de 500 crianças e adolescentes entre 7 e 15 anos.


Atualmente as aulas acontecem nos seguintes locais:


- Porto Alegre:  Sede Campestre do SESC - Av. Protásio Alves, 6220 - Bairro Petrópolis - Prof. Renatinho Müller / CPCA - Estr. João de Oliveira Remião, 4444 - Parada 10 - Lomba do Pinheiro - Prof. Elmer Fagundes


- Guaíba: Col. Estadual Augusto Meyer - Rua Pantaleão Telles, 431 - Bairro Ermo - Prof. Cleunice "Fofa" Nobre


- Barra do Ribeiro: Sede da Fábrica de Gaiteiros - Rua Júlio de Castilhos, 1120 - Centro - Prof. Eduardo Vargas


- Butiá: Ginásio Municipal Gastão Hoff -Rua José Feliciano Carrinho, 133 - Prof. Adriana de Los Santos


- Tapes: Casa de Cultura Ruy de Quadros - Rua João Ataliba Wolf, 559 - Centro - Prof. Claiton Scouto


- São Gabriel: Centro de Cultura Sobrado da Praça - Rua Duque de Caxias 600 - Centro - Prof. Eduardo "Dudu" Garcia


- Bagé: Biblioteca Pública Municipal - Rua Carlos Mangabeira - 3 piso - Centro - Prof. Augusto Maradona


- Lagoa Vermelha: Casa de Cultura Athos Branco - Rua Nivio Castelano, 650 - Centro - Prof. Diego Granza


- Lages: Centro Cultural Vidal Ramos - SESC - Rua Vidal Ramos Jr., 153 - Centro - Prof. André Alano


- Blumenau: SESC Centro - Rua Dr. Amadeu da Luz, 165/181 - Centro - Prof. Gustavo Almeida


Como apoiador e divulgador da cultura gaúcha gostaria de ver esse projeto na minha cidade natal, Vacaria, terra do maior rodeio crioulo do mundo.

Para conhecer mais sobre o projeto Fábrica de Gaiteiros acessem: http://fabricadegaiteiros.com.br/

sábado, 1 de dezembro de 2018

Temporal


Uma das músicas que fazem parte do repertório dos concursos de intérpretes peão e prenda nas provas artísticas dos rodeios crioulos é a música Temporal. Muitos participantes de ambos os sexos optam em cantar esta bela canção.

Foto: recantodasletras.com.br

Temporal é uma composição do cantor e guitarrista Sandro Coelho foi lançada no em primeiro CD solo “No Sul do Meu País” em 1996. Anos depois, esta música foi regravada pela cantora e gaiteira Cássia Abreu e fez parte do DVD Festchê II, lançado pela gravadora ACIT em 2004.
Te aprochega e confira a letra completa da música Temporal. A seguir você pode ouvir as duas versões da música nas vozes de Sandro Coelho e Cássia Abreu.

Temporal
Composição: Sandro Coelho, regravada por Cássia Abreu

Sopra um vento forte que é do norte escureceu
Os galhos açoitam as paredes do galpão
Relâmpagos no céu tomam formas de raiz
E trovões tão fortes que estremecem até o chão

/A noite encobre o dia e assusta a peonada
Cavalos galopam loucos pelo campo em disparada
Curvam-se as macegas como quem faz reverência
Credo e cruz meu Deus que tempo feio/

(Depois do temporal as folhas tem tom especial
Homens e animais ficam serenos e lavados de todo mal)

Versão na voz de Sandro Coelho:



Versão na voz de Cássia Abreu:


sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Movimento O Sul é o Meu País


O Sul É o Meu País é um movimento que estuda a viabilidade da separação dos estados do Sul do Brasil - Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul - do restante da federação. Fundado em 1992 no município de Laguna pelo historiador e político brasileiro Adílcio Cadorin, tem sede na cidade de Curitiba e comissões em diversos municípios do sul. O objetivo é avaliar as possibilidades de emancipação política e administrativa desses estados.


Foto: Divulgação



O grupo cita o conceito de autodeterminação dos povos como motivação para a autonomia da região. Outros motivos citados por organizadores do movimento incluem fatores culturais, políticos, e econômicos, entre eles uma insatisfação com a carga tributária que recai sobre os estados. O historiador Gilmar Arruda argumenta que supostas diferenças regionais e culturais nas quais o movimento seria baseado não apresentam distinção significativa do restante do país. Já para o cientista social Fernando Schuler, existem "enormes diferenças culturais" entre a região sul e a região tropical do Brasil, e as pautas do movimento são "válidas", apesar de "inviáveis".


Desde 2016, o movimento realiza uma consulta popular informal, sem valor legal, denominada Plebisul, a fim de auferir se a população dos três estados da região Sul gostaria de separar-se do restante do país. Para docentes da área do direito, uma eventual separação seria contra a atual constituição brasileira, apesar das consultas populares não serem ilegais.


E você meu caro leitor, é a favor ou contra a separação dos três estados do Sul do resto do Brasil? Deixe a sua opinião nos comentários.


Para mais informações sobre o movimento O Sul é o Meu País acesse:  https://www.sullivre.org/


quinta-feira, 29 de novembro de 2018

José Mendes


Cantor e compositor, José Mendes nasceu na localidade de Machadinho, no município gaúcho de Lagoa Vermelha em 20 de abril de 1939, mas foi registrado em Vacaria. Com a separação dos pais, mudou-se para a cidade de Santa Terezinha, no distrito de Esmeralda, em 1944, passando a residir com pais adotivos.


Viveu em Santa Terezinha durante 14 anos, período no qual trabalhou como peão de estância e começou a fazer suas primeiras serenatas.


Começou a se interessar pela música aos 14 anos, formando pouco depois, com um amigo, uma dupla amadora chamada "Os Irmãos Teixeira".

Foto: Ouvirmusica.com.br


Em 1958, foi prestar o serviço militar e mudou então para a cidade de Vacaria, onde se fixaria depois do serviço militar, decidindo, então, seguir a carreira artística.


Iniciou a carreira artística em 1960, quando se mudou para a cidade de Júlio de Castilhos, onde formou o trio Os Seresteiros do Pampa.


Em 1962, depois de excursionar pelo nordeste do Rio Grande do Sul e por algumas cidades de Santa Catarina, decidiu que era hora de gravar um disco, ou abandonar a carreira. Pediu dinheiro emprestado ao fazendeiro Irineu Nery da Luz, que lhe cedeu a quantia de 20 mil cruzeiros, para viajar até São Paulo. Na capital paulista, dormiu vários dias em bancos da rodoviária, alimentando-se de pão e banana.


Utilizando o nome artístico de Gaúcho Seresteiro, gravou o LP "Passeando de pago em pago", uma autêntica crônica de suas viagens pelo Rio Grande do Sul.


Nesse disco, gravou doze composições, todas de sua autoria, mas que acabaram aparecendo com diferentes parceiros, todos radialistas: a música título, com Sebastião Ferreira da Silva, "Roubei a fazendeira", com Carlos Armando, "Cantando ao luar", com Nino Silva, "Porteira do Rio Grande", com Teixeira Filho, "Não sou culpado", com José Teixeira, "Saudades de Júlio de Castilhos", com Leonel da Cruz, "Excursão catarinense", com Sertãozinho, "Sou do Rio Grande", com Milton Gomes, "Capital gaúcha", com Domingos de Palo, "Gaúcho gaudério", com Zé Tomé, "Sem teu amor", com Carlos Armando, e "Cruzaltense", com Coronel Narcizinho.

Depois da gravação do disco, retornou para a cidade gaúcha de Vacaria e, logo em seguida, mudou-se para a cidade de Porto Alegre, onde chegou a dormir dentro de carros em uma garagem na qual trabalhava um amigo.

Certificado de reservista de José Mendes. Foto: Mateus Rosa



Começou a fazer apresentações em cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, a fim de divulgar o disco, fazendo isso por cinco anos.

Nesse período, participou de várias caravanas artísticas ao lado de nomes como Airton Pimentel, Os Araganos, Velho Mirongueiro, Os Mirins, Luiz Mullher, Portela Delavy, e as duplas Milton e Almerinda e Xará e Timbaúva, entre outros.

Numa dessas viagens, em companhia de Portela Delavy e Luís Muller, ocorreu um episódio que mudaria sua vida. Viajavam de kombi para a realização de um show, quando o carro quebrou e tiveram que pegar um ônibus.

A certa altura dois peões começaram a discutir até que um deles, para terminar o assunto falou: "Pára Pedro", e tornou a repetir "Pedro, pára". Estava dado o mote para ele e Delavy comporem o xote "Pára, Pedro".


A música foi apresentada primeiramente no programa radiofônico "Grande Rodeio Coringa" causando grande impacto, recebendo o incentivo de todos para que a gravasse.

Em 1967, voltou a São Paulo, a fim de gravar seu segundo disco. Foi recusado pela Continental e pela Chantecler, até que a gravadora Copacabana resolveu lançar "Pára Pedro" em compacto simples.

O disco tornou-se rapidamente um grande sucesso nacional e internacional, sendo regravado em diversos gêneros, por diferentes cantores na América Latina. O compacto vendeu mais de 600 mil cópias e se tornou o disco mais vendido do ano, o que lhe valeu da TV Gaúcha o "Troféu de Consagração popular".

Chapéu e gaita-ponto de José Mendes. Foto: Mateus Rosa


Na época, uma reportagem da revista "O Cruzeiro" dava conta da enorme popularidade alcançada por ele: "Ligue o rádio e ouça. Esteja você em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Recife, Porto Velho ou no Acre". E até atravessando fronteiras, na Argentina, Uruguai ou Bolívia.


No mesmo ano, lançou o LP "Pára Pedro" que, além da música título, tinha ainda as composições "Picaço velho", "Surpresa da vida" e "Mensagem de saudade", de sua autoria e mais, "Mulher feia", com Noel Silveira, "Canto da siriema", com Leonel dos Santos, "Valsa do adeus", com Ney Fernandes, "Terra brasileira", com Luis Muller, e "Corações amantes", com Milongueiro, além de "Saudades de Lagoa Vermelha", de Elyo Theodoro, e " Terra que canto" e "Última lembrança", de Luis Menezes.


No bar, no cabelereiro, em casa, no escritório ou à saída da missa, todos assobiam e cantarolam a história do Pedro que entrou numa festa lá na fazenda da Ramada. Todos querem imitar a velha apaixonada, no Pára Pedro! Pedro, pára!".


Em 1968, lançou, também pela Copacabana, o LP "Não aperta, Aparício", com música título de sua autoria e mais "Laços de Saudade" e "Não Chores Chinoca", de sua autoria, "Saudades de Vacaria", com Paulo Finger, "Vai embora tristeza", com Oiram Santos, "Pedras no caminho", com Cláudio Paraíba, e "Esmeralda", com Airton Pimentel, além de "O pranto dos meus olhos", de J. Pereira Jr.e Néco, "Pequena paisagem de amor", de Zaé Jr. e Theotonio Pavão, "Adeus Bragança", de Geraldo Nunes, e "Gaudério", de Luis Muller e Antoninho Duarte.


Ainda nesse ano visitou o Rio de Janeiro e apresentou-se no "Programa do Chacrinha". Também em 1968, participou da coletânea "Carnaval Copacabana", que contou as presenças de diversos artistas como Ângela Maria, Gilberto Alves, Carequinha, e Roberto Silva, interpretando "Pedro no carnaval", de sua autoria e "Maria Antonieta", parceria com Paulo Finger.

Revólver de José Mendes. Foto: Mateus Rosa


Em 1969, atuou no filme "Pára, Pedro!", baseado em sua música, filmado pela produtora Leopoldis-Som, com roteiro de Antônio Augusto Fagundes e direção de Pereira Dias, sendo esse, o primeiro longa-metragem colorido produzido no Rio Grande do Sul. O filme foi grande sucesso, permanecendo em cartaz por 23 semanas no Rio Grande do Sul, antes de ser lançado no Rio de Janeiro.


Ainda em 1969, lançou pela Copacabana seu quarto LP, "Andarengo", disco no qual interpretou a música título e "Valsa das mães" , parcerias com Antônio Augusto Fagundes, "Uma aventura a mais", com Leonardo,
"Vá embora tristeza", com Oiram Santos, " Couringando" e "Fronteira que não faz fronteira", com Airton Pimentel, "Hei de amar-te até morrer", "Para amar não tem distância", e "Nasci para você", de sua autoria, além de "Parabéns", de Dimas Costa, "Brasileiro meu irmão", de Antônio Augusto Fagundes, e "Comadre Chica", de Otávio Pereira Rodrigues e Cláudio Lima.


Também em 1969, atuou no filme "Não aperta Aparício", baseado na sua música homônima, filme também com direção de Pereira Dias e que contou, entre outros, com as participações de Grande Otelo e José Lewgoy, sendo também um grande sucesso.


Em 1970, desfrutando de intensa popularidade, fez shows em quase todas as cidades gaúchas, além de se apresentar em Santa Catarina, Paraná, Amazonas, São Paulo e Rio de Janeiro.


Nesse ano, tornou-se, juntamente com o cantor Altemar Dutra, o artista brasileiro com disco mais tocado em Portugal.


Foi convidado para desfilar na Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, saindo como destaque ao lado de Martinho da Vila no enredo "Glórias gaúchas".

Ainda nesse ano, lançou o LP "Mocinho do cinema gaúcho" cantando "História dos Pedros", "Acordeona do Nego Mendes" e "Gaúcho aventureiro", de sua autoria, "Palmeira das Missões", com Odalgiro Correia, "Roubei a fazendeira", com Carlos Armando, "Cantando minha palmeira", com Odalgiro Correia, "Três flores", com Nonô Basílio, "Quero beijar-te agora", de Gilberto Nedel e J. Martins, "Não espalha", de Airton Pimentel, "Moda de agora", de Senair Maicá e Gaúcho do Rincão, "Sangue criolo", de Lauro Rodrigues, e "Largo da felicidade", de Rubens Alcântara.


Suas músicas foram tocadas a partir de Portugal, na Áustria, Suécia, Suiça e Bélgica.

Em 1971, gravou o LP "Gauchadas" com sete composições de sua autoria: "Churrasco", com Luis Muller, "As coisas do meu rincão", "Conversa fiada", "Rodeio de Vacaria", "Minha acordeona", "Ciganinha", e "Lágrimas do adeus", além de "Roubo da gaita velha" e "Baile do Rancho", de Nilda Beatriz de Castro, "Três companheiros", de José Batista, "Palavra triste", de Oscar de Almeida Macedo e Oiram Santos, e "Chê Florência", de Oiram Santos.


Em 1972, filmou seu terceiro filme, "A morte não marca tempo", tendo como música de abertura a "Balada da solidão", parceria com Pereira Dias. O filme foi lançado em abril do ano seguinte.


Em 1973, lançou, pela Continental, o LP "Isto é integração" no qual interpretou obras de sua autoria como "Minha biografia", "Isto é integração", com Pereira Dias, "Prece", com Jaime Caetano Braun,"Carancho", com Zequinha Silva, "Volta Benzinho", com Sonia Maria, e "Berço saudoso", com Paulo Lima, além de "Pago santo" e "Herança", de Telmo de Lima Freitas, "Uma Cruz em cada mão", de Luiz Machado e Celina Paiva, e "Mensagem de artista", de Bruno Neher e Deroi Marques.


José Mendes faleceu em 15 de fevereiro de 1974, no auge do sucesso, quando a camionete Veraneio na qual viajava com mais três pessoas, voltando do show em um circo na cidade de Pelotas, colidiu de frente com um ônibus na altura de Porto Novo na rodovia Rio Grande-Pelotas.

Urna com os restos mortais de José Mendes em seu Memorial na cidade de Esmeralda-RS. Foto Mateus Rosa



Nesse ano, foi editado o LP "Adeus Pampa querido", uma cópia do seu primeiro disco "Passeando de pago em pago" com as substituições das músicas "Passeando de pago em pago", por "Adeus Pampa querido", versão sua, para música de F. Canaro, M. Mores e Pelay, e "Excursão catarinense", substituída pela "Balada da solidão".


Em 1979, suas músicas "Carancho" e "Baile de Campanha" foram incluídas no LP "Gauchíssimo - Vol. 4", da Musicolor/Continental, que contou com participações de diversos artistas gaúchos entre os quais, Os Milongueiros, Gildo de Freitas, e Berenice Azambuja.


Em 2002, foi homenageado com a publicação do livro ""Pára, Pedro - José Mendes - Vida e obra", de Ajadil Costa.


Nesse livro, o autor afirma que: "Passados quase 30 anos é firme a devoção ao mito José Mendes. Existem hoje diversos louvores em todo o Rio Grande, em sua lembrança: nome de ruas em diversas cidades espalhadas pelo Estado. Homenagens em diversos programas de rádio e festividades em muitas cidades exaltando sua memória."


Em 2004, em sua homenagem, foi feita a cavalgada "José Mendes de volta a querência", uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Esmeralda e da Universidade de Caxias do Sul, com coordenação de Nilson Hoffmann. A cavalgada destinou-se a transladar os restos mortais do cantor e compositor enterrado em Porto Alegre, para a cidade de Santa Tereza, seu berço natal.


Em 2006, o "Memorial José Mendes", localizado no município de Esmeralda, foi transformado em patrimônio cultural do Estado do Rio Grande do Sul. 

Fonte: Letras.com.br



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