sexta-feira, 8 de março de 2019

Laça que nem mulher: a história de três jovens laçadoras que amam o que fazem


O tiro de laço surgiu na cidade de Esmeralda - RS na década de 50. Esta atividade campeira do gaúcho é uma prova muito popular nos rodeios crioulos onde o ginete (laçador) tem o espaço de 100 metros para laçar um novilho que tenta fugir.

No início era uma modalidade apenas praticada pelos homens, porém as mulheres, assim como em outras áreas, estão tomando conta e se destacando nesta modalidade.

Da esquerda para a direita: Alexandra Oliboni, Larissa Costa e Vanessa Santos.


Como março é o mês da mulher, o blog Repórter Riograndense entrevistou três jovens laçadoras: Alexandra Andreola Oliboni, Larissa Reginini da Costa e Vanessa Santos. Elas falam sobre o como elas iniciaram no esporte, as experiências vividas no tiro de laço e também sobre o crescimento das mulheres no tiro de laço. Convidamos a todos a partir de agora a conhecer essas  histórias e, acima de tudo, o lugar da mulher é onde ela quiser.

Como vocês começaram no tiro de laço?

Alexandra Oliboni: Meu pai Valdomiro me criou na lida campeira, então às vezes por necessidade de laçar algum animal no campo. Laçar sempre fez parte da minha vida. A primeira vez que participei de um rodeio como laçadora foi o rodeio do quadro Querência de São Pedro (Coxilha Grande, distrito de Vacaria) terra natal do meu pai.

Larissa Costa: Como eu fui criada no sítio em volta de cavalos e de pessoas que sempre laçaram, eu fui me incentivando e comecei a laçar aos 10 anos.

Vanessa Santos: Através do meu pai que sempre laçou e também me criei no campo. Com 4 anos já andava a cavalo sempre ajudava meu pai na lida de campo com o gado.  Só comecei a laçar com 13 anos, pois na época ainda eram poucas as prendas que laçavam.


Quem incentivou vocês a praticarem o tiro de laço?

Alexandra Andreola Oliboni. Arquivo pessoal



Alexandra: Eu sempre gostei do laço, e depois de anos quando conheci o Mica, meu namorado, e sua família me convidavam para os treinos que faziam nos domingos finais de tarde.  Sempre que posso, estou em algum rodeio. Um dos maiores incentivadores que tive foi minha dinda Rosane e meu tio Eduardo, que me presentearam com a Porcelana (minha égua ); que eu amo e está comigo nós melhores momentos do tiro de laço. E as pessoas que torcem muito por mim os quais destacam meu vô, meu pai, minha mãe e minhas irmãs.

Larissa: Um dos meus maiores incentivadores para que eu começasse a laçar foi meu avô Túlio José Rossi, ele era orelhador e um dos fundadores do CTG Porteira do Rio Grande.

Vanessa: Meu pai e também meu irmão mais velho que já laçavam a muito tempo.


Como são as suas rotinas de treinos?


Alexandra: Não treino muito, pois eu faço faculdade em Caxias do Sul e estou sempre viajando nos finais de semana para a Vacaria. Quando sobra um tempo vou para a fazenda com a família. Pratico o laço não por esporte, mas por necessidade da lida campeira a qual eu amo e faço desde que me conheço por gente.

Larissa: Eu treino de duas a três vezes por semana. Quando tem um rodeio grande eu treino todo o dia com o gado correndo ou no boi mecânico, mas depende o tamanho do rodeio que vai ter no final de semana.

Vanessa: Eu treino somente no boi mecânico uma ou duas vezes por semana. Também treino na vaca parada que ajuda bastante pra melhorar a boleada e a pontaria também.


Quantos campeonatos vocês já participaram e venceram?


Alexandra: Estou participando apenas do meu segundo campeonato. Ainda não venci nenhum.

Larissa: Eu vou citar alguns campeonatos que já venci: Fui campeã do rodeio da Festa do Pinhão em 2016; fui uma das campeãs da força C do laço prenda em Lagoa Vermelha deste ano. Também tenho vários troféus dos rodeios de Esmeralda, Pinhal da Serra e Muitos Capões.

Vanessa: Já participei dos campeonatos municipais de laço de Vacaria, Campestre da Serra e Ipê, que é a cidade onde eu moro. Hoje só participo do campeonato de Monte Alegre dos Campos.  Já fui campeã em todos eles, inclusive esse ano venci pela terceira vez a temporada do campeonato de Monte Alegre dos Campos na modalidade de prenda que se encerrou no último final de semana.  Também já fui campeã do duelo de prendas em Nova Pádua, do Rodeio Nacional de Antônio Prado, modalidade prenda, campeã do Rodeio Nacional de São Marcos na modalidade laço casal e modalidade pai e filha do Rodeio da Cabanha Canhada Funda de Monte Alegre dos Campos. Esse último foi especial para mim porque por incrível que pareça todos esses anos que laço faz doze anos  e foi a primeira vez que ganhei essa modalidade.


Atualmente vocês laçam em algum quadro de laçadores? Como é o convívio de vocês com os outros laçadores durante os rodeios?


Larissa Costa. Arquivo pessoal


Alexandra: Atualmente laço o campeonato da cidade de Ipê.  Participo do quadro Querência dos Amigos do Laço. Meu convívio com outros laçadores é sempre ótimo. Graças a Deus tenho muitos amigos. E estou sempre fazendo novas amizades nos rodeios que participo.

Larissa: Eu já participei de vários campeonatos como de Esmeralda, a cidade que eu moro atualmente e também o campeonato municipal de laço de Vacaria onde já fui campeã e também fiquei em segundo lugar. Atualmente estou laçando pelo CTG Pelego Preto que é uma família que todo mundo se ajuda e cada rodeio que a gente é uma alegria e união entre nós.

Vanessa: Eu laço para o Quadro Cabanha Mato da Luz, de Monte Alegre dos Campos. É um quadro que meu pai montou em 2014. Sobre o convívio com os outros laçadores a rivalidade é só em cancha, até porque as maiorias das minhas amizades são de rodeio.


Vocês participam da modalidade laço duplas?


Alexandra: Minha parceira é a Amanda Reis, uma das pessoas que me incentivou muito no início. Ela laça há mais tempo que eu. E foi ela quem sempre me deu muitas dicas, convidava pra laçar junto e muitas vezes me emprestou sua égua para laçar. E essa dupla deu certo. Espero que dure pra sempre.

Larissa: Nos rodeios particularmente eu não laço mais em duplas. Às vezes quando uma das minhas amigas me convida, eu laço com elas. Nunca tive uma dupla fixa. Sempre laço na modalidade prenda.

Vanessa: Meu parceiro de dupla é meu marido. Nós laçamos junto desde que começamos a namorar em 2012.  Ele nunca deixou de laçar comigo para laçar com outro parceiro. Se em alguma modalidade precisamos trocar o parceiro, nós trocamos. Entretanto, sempre preferimos laçar nós dois juntos.


Como vocês veem o crescimento de mulheres praticando tiro de laço nos dias atuais?


Alexandra: Com certeza vem crescendo a cada dia, mas ainda precisamos de muito mais apoio, porque querendo ou não ainda é um esporte masculinizado. É bem complicado para uma mulher sair para um rodeio sozinha, pegar a estrada, com carretão e cavalo sem estar na companhia de outros.

Larissa: Antigamente não existiam muitas mulheres para essas lidas brutas, porque tiro de laço era mais para os homens. Hoje a mulher não só no laço, mas em qualquer atividade campeira e como dizem: lugar de mulher é onde ela quiser.

Vanessa: A cada dia que passa vem crescendo mais o número de mulheres que laçam em rodeio. Em Cachoeira do Sul todo ano tem um rodeio só para as mulheres. Também existem em outros rodeios que tem uma premiação uma diferenciada para as mulheres.


Vocês acreditam que um dia uma dupla de mulheres poderá vencer a categoria principal do Rodeio de Vacaria?


Alexandra: Com certeza. Hoje temos mulheres que laçam muito bem. E tudo é uma questão de dedicação, treino e tempo disponível.

Larissa: Acredito que podem sim vencer o Rodeio de Vacaria, mas como também qualquer grande rodeio. As mulheres se destacam em qualquer lugar que elas vão.  A força de vontade de uma mulher é maior do que qualquer homem. Acredito que em 2020 teremos duplas de laçadoras campeãs no Rodeio de Vacaria.

Vanessa: Tem mulheres como Ariane Soares, Amanda Vaz e Amanda Rosa que já laçam mais do que muitos homens. Onde elas passam são campeãs. Laçam de igual pra igual com os homens. Não existe mais essa que homem laça mais que mulher.


O que uma pessoa precisa ter para se tornar um bom laçador (a)?


Vanessa Santos. Arquivo pessoal



Alexandra: Humildade, nunca achar que está laçando melhor que os outros ou se achar melhor que alguém. Assim como você tá laçando bem hoje, amanhã pode não laçar nada. Sempre escutar a voz da experiência, e assistir os bons laçadores para tentar fazer igual ou se corrigir. Sempre acreditar que você é capaz, e nunca desistir.

Larissa: Para qualquer pessoa seja um bom laçador tem que ter em primeiro lugar força de vontade. Se a gente não tem força de vontade para fazer alguma coisa não chegamos a lugar nenhum. Também é preciso treinar muito e sempre que possível pegar dicas com bons laçadores para adquirir mais conhecimento.

Vanessa: Em primeiro lugar humildade, pois tem que saber ganhar e perder. Treinar, sempre treinar para se tornar melhor um bom laçador (a).


O que significa o tiro de laço em suas vidas?


Alexandra: Para mim um momento de prazer que só abro mão em função da família, faculdade, ou algum motivo maior que me impeça de estar presente.

Larissa: O tiro de laço se tornou uma coisa muito boa em minha vida, pois estou fazendo ou que eu gosto. Conheço muitas pessoas e faço novas amizades. O convívio num rodeio é bom para quem gosta do ambiente. Eu incentivo qualquer que gosta do laço começar a praticar o tiro de laço, pois quando você começa, não consegue mais parar.

Vanessa: O laço é tudo para mim. Não me vejo longe do tiro de laço, pois é bem mais que um esporte, onde tem um rodeio tem várias famílias. O laço é, com certeza, o esporte da família.

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