sábado, 27 de abril de 2019

CTG é lugar de música gaúcha


Nesta sexta-feira, dia 26 de abril, o cantor da banda Furacão da Vanera, Kauan Rodrigues, publicou nas redes sociais do grupo um vídeo em que ele faz um desabafo sobre o uso da pilcha e do estilo musical tocado nos CTGs (Centro de Tradições Gaúchas).


No vídeo Kauan relata que quando o Furacão da Vanera toca em CTGs e em rodeios, eles são obrigados pelos contratantes a tocarem pilchados, usando bota, bombacha, camisa e lenço, sendo que o repertório da banda não é 100% gaúcho. Ele comenta também que o contratante e o principalmente o público querem que a banda toque outros estilos como sertanejo, funk e rock, porém a banda precisa usar pilcha para se apresentar.

Cartaz de divulgação de bailes do Furacão da Vanera em que os integrantes estão usando pilchas. Foto: Furacão da Vanera/Divulgação


Durante o desabafo ele relatou que o Furacão da Vanera tocou por uma hora um repertório apenas com músicas gaúchas, mas que as pessoas queriam que eles tocassem o repertório da banda que mistura outros estilos musicais a com vanera. Ele confessou que não gosta de usar pilchas e queria o Furacão da Vanera se apresente em CTGs usando roupas normais e que o nem o público que frequenta os CTGs não usa pilchas nos bailes.


Opinião do Repórter Riograndense


Eu sou da geração dos anos 2000 que viu grupos gaúchos como Tchê Garotos, Garotos de Ouro, Tchê Barbaridade, Tchê Guri entre outros criarem o estilo chamado “tchê music” que mistura a música gaúcha com outros estilos musicais.


No início, esses grupos deixaram de usar pilchas em suas apresentações e a tocarem em CTG’s e rodeios. Neste mesmo período, o grupo Os Serranos lançou o slogan que usa até hoje: “o grupo que tem orgulho de ser e permanecer gaúcho”.


Atualmente os grupos pioneiros da tchê music voltaram a usar pilchas e a tocarem em CTGs misturando os sucessos do passado com as músicas atuais. Outros grupos como Tchê Chaleira, Estação Fandangueira e Sorriso Lindo mesclam apresentações em CTGs usando pilchas com apresentações em casa de shows onde eles tocam usando roupas normais.


Acredito que existem espaço para todos estilos musicais e que o Kauan não queria desrespeitar a música gáucha. Mas minha opinião é quem vai a um baile em CTG vai para ouvir música gaúcha e não funk. Dias atrás fui a um bar em Porto Alegre que tocava samba e MPB. Eu sabia que o último estilo que ouviria neste bar seria música gaúcha.


Amo demais a música fandangueira, mas sou aberto a ouvir outros estilos. Vejo que bandas que tocam bandinha - outro estilo musical muito popular no Rio Grande do Sul - dedicam uma parte do baile de tocar clássicos da música gaúcha como "Alambrador", "Bombacha Preta", "Floreando a Cordiona" entre outros. O que deixou decepcionado foi o fato do cantor do Furacão da Vanera não gostar de usar pilchas.


Eu mesmo tenho orgulho e gosto de usar bota, bombacha, lenço, chapéu, alpargata e boina, mas não uso tanto quanto deveria porque para você montar uma indumentária gaúcha é muito caro para muitas pessoas, inclusive para mim. Quando estudava no colégio ou na faculdade na época da Semana Farroupilha fazia questão de ir pilchado para a aula pelo menos uma vez por semana, assim como quando tem o Rodeio de Vacaria, de pelo menos um dia usando pilcha.


Torço pelo sucesso do Furacão da Vanera e outros grupos, porém todos nós temos a nossa parcela de culpa: os músicos que não gostam de usar pilchas, os contratantes que não sabem escolher o grupo ideal para seu evento e principalmente boa parte do público, sempre há exceções, que quer ouvir um grupo gaúcho cantar as músicas do (a) Pablo Vittar.


Temos muitos que aprender com música sertaneja, em que o sertanejo universitário não acabou com o sertanejo raiz, e ainda assim, um artista busca ajudar o outro. Por isso o sertanejo é um dos gêneros mais populares do Brasil. Ainda quero ver esta união na música gaúcha desde a nativista até a tchê music. 


Mateus Rosa - Repórter Riograndense

Jornalista MTB/RS 18.551


Confira a seguir o vídeo em que o cantor da banda Furacão da Vanera faz o seu desabafo:





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