quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Payada para um levante

"Enquanto luas e luas
Passarem-se entre as eras
Multiplicarem-se as taperas
Perderem-se gerações
Esfriarem-se emoções
Mudarem-se os costumes
Não passaremos impunes
Nas páginas memoriais
Por matar os mananciais
E o brilho dos vaga-lumes...
Que vale um céu estrelado
Sem olhares vislumbrantes
Sem os corações arfantes
De seres apaixonados
Sem os jardins aparados
Sem as meninas de trança
E algazarra de crianças
Guardada em fotografia
Em uma casa vazia
Onde morreu a esperança...
E vales que foram sonhos
De milhares de aquarelas
Guardando estranhas sequelas
Da fúria dos gananciosos
Que com atos sigilosos
E outros nem tanto assim
Mataram rios e capim
E outras formas de vida
Numa terra carcomida
Nos estertores do fim...
Eu vejo luas e luas
Passando-se entre as eras
Multiplicarem-se taperas
De verdejantes estâncias
Tudo por simples ganância
De amontoar mais um tostão
Como se esse mundão
Tivesse cópia escondida
Numa galáxia perdida
Sob uma cruz de cifrão...
Já faz um lote de tempo
Que perdemos os arreios
E não adiantam floreios
Nem discursos afinados
O Brasil foi solapado
No decorrer do processo
Entramos em retrocesso
Até mesmo na querência
Só porque as superpotências
Querem mais, e mais progresso!
É uma tal de transgenia
Sementes modificadas
E florestas devastadas
Pra dar lugar ao plantio
Morre sem teto o Bugio
Sem banhado a Capivara
E coitada da Piapara
Que sem rio está morrendo
Porque o mundo está sofrendo
De uma doença que não sara!
E as Ongs se multiplicam
Com seus nomes de retovo
Só pra enganar o povo
E fingir preservação
Gentes de outra nação
Falando outro idioma
Iniciativa que não soma
Só leva o nosso dinheiro
Pra enriquecer estrangeiro
Roubando nosso genoma...
Como se aqui no Brasil
Todo mundo fosse burro
Na terra de Don Casmurro
Estão ditando leis e normas
Influenciando reformas
E decisões importantes
Levaram ouro e diamante
E outros itens da lista
Deixando nossos cientistas
Com cara de ignorantes...
Eu sonho com rebeldias
Bem aqui no sul do mundo
Com sentimento profundo
De amor e brasilidade
Reunindo campo e cidade
Sob o mesmo catecismo
Com toques de gauchismo
E sotaque nordestino
Pintando nosso destino
De puro brasileirismo!
Enquanto luas e luas
Passam-se entre as eras
Multiplicam-se as taperas
Por causa da omissão
O rumo desta nação
Que já foi uma joia rara
Ladeira a baixo dispara
E pode morrer no lançante
Caso o povo não levante
E crie vergonha na cara!"


Ari Pinheiro

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