quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Oração do gaúcho

Em nome do pai, do filho e do espírito santo e com licença do patrão celestial.
Vou chegando, enquanto cevo o amargo de minhas confidências,
porque ao romper da madrugadae ao descambar do Sol,
preciso camperear por outras invernadas e repontar do Céu,
a força e a coragem para o entrevero do dia que passa.
Eu bem sei que qualquer guasca, bem plicado, de faca, rebenque e esporas,
não se afirma nos arreios da vida, se não se estriba na proteção do céu.
Ouve, Patrão celeste, a oração que te faço ao romper da madrugada e ao descambar do Sol.

Tomara que todo o mundo seja como irmão!
Ajuda-me a perdoar as afrontas e não fazer aos outros o que não quero para mim!
Perdoa-me, Senhor, porque rengueando pelas canhadas da fraqueza humana,
de quando em vez, quase sem querer, me solto porteira a fora...
Êta potrilho xucro, renegado e caborteiro... mas eu te garanto,
meu Senhor, quero ser bom e direito!

Ajuda-me, Virgem Maria, Primeira Prenda do Céu.
Socorre-me, São Pedro, Capataz da Estância Gaúcha.
Pra fim de conversa, vou te dizer meu Deus, mas somente pra ti,
que tua vontade leve a minha de cabresto pra todo o sempre e até a querência do Céu.

Amém.


NADAL, D. Luiz Felipe de.

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